Enquanto Jasper falava sobre os relatórios e os números surpreendentes dos últimos meses da Cullen’s, Edward se pegava mexendo com a caneta, a batendo na mesa, fazendo um barulho bastante incomodo para quem tentava prestar atenção. Para quem tentava, o que, de certa forma e completamente, não era o caso dele naquele momento. Fechou os olhos por alguns segundos e imagens bagunçadas e borradas passaram por sua mente vaga. Por tanto tempo que havia se esquecido uma noite que havia ficado completamente sã.
Apertou ainda mais os olhos, tentando fazer com que sua mente se concentrasse no que seu empresário contabilista falava, podia entender algumas coisas sobre números estupendos, sobre o dobro de capital do país e sobre algo mais, mas não entendia o valor e os sentidos das palavras. Na realidade, naquele momento, Edward desconfiava que os empresários o observavam e aguardavam por uma resposta, seja ela qual fosse. Ele mandava ali. Ele mandava naquele império e mandava no império Venturini, no qual havia pertencido a sua... Apagou seus pensamentos de forma rápida e eficaz. Não, não havia mais nada que era seu.
O edifício novo, ao lado da Venturini, havia sido comprado há apenas três meses, sentia o cheiro da pintura nova, sentia o cheiro de tudo à sua volta, para falar a verdade, mas quando a noite chegava havia um único perfume que seu corpo e sua mente procurava com desespero que chegava o assustar.
Jasper – Senhor Cullen? – o chamava pela terceira vez – Senhor Cullen? - Edward abriu os olhos deixando a caneta cair na mesa e olhou para frente, tirando os cabelos dos olhos. Ele respirou fundo, olhando para Jasper, que o esperava com os olhos aflitos, percebendo que o amigo não havia prestado atenção em uma única palavra que ele havia dito com afobação e animação.
Ed - Faça o que achar melhor, Jasper, é para isso que pago por você. Se me derem licença... – A sala em peso baixou a cabeça, esperando que Edward saísse da mesma para depois então se entreolharem.
Jasper conhecia o novo amigo, há mais de seis meses estava trabalhando na Cullen’s&Venturini, que agora era firmemente administrada por Edward. Havia dias que Edward mal falava. Havia dias que Edward controlava agora aquele império com mãos de ferro.
Havia revisado os documentos, a Venturini havia sido passada para ele com todas as ações e bens, e o pouco que convivia com Edward, sabia o motivo de suas aflições. Gabriel estava mudando e se tornando um garoto triste, que mal falava. Edward sabia perfeitamente como lidar com suas empresas, seu dinheiro, que parecia triplicar a cada dia pelo homem que silenciosamente apagava as luzes de seu escritório e, sem dizer uma única palavra, pegava o elevador às onze da noite.
Mas desconfiava não saber como lidar com o garoto de seis anos, que ansiava por algo, que Jasper desconfiava ser sua mãe. Isabella Marie Cullen.
Até onde Jasper sabia, por todos que conviveram com ela, era uma mulher maravilhosamente e estupidamente bela, responsável, uma figura materna de pura perfeição, uma esposa fiel, dedicada e apaixonada, além de ser a melhor representante que a Venturini havia tido.
Observou as pessoas saírem da sala contentes com os últimos resultados da empresa, quem não ficaria? Caminhou para sala de Edward, onde com um copo de alguma bebida forte, estava sentado na poltrona de frente para a janela, para a vista maravilhosa do último andar do edifício.
Ed – Desculpe, Jasper, não quis ser rude. – Jasper sentou-se na frente de Edward.
Jasper – Eu sei que não. Mas ouviu o que eu disse, Edward, estamos no topo do mundo... Você está no topo do mundo! – Edward assentiu, tomando outro gole de sua bebida.
Ed – Gabriel não sai mais do quarto... – lançou, com os olhos fixos em algum ponto da paisagem – Não joga mais futebol e não pergunta mais por ela. – Jasper baixou a cabeça assentindo – Sei levar a minha empresa para o topo do mundo, mas não fui confiante o suficiente para que a minha mulher não sentisse medo de levar a minha empresa para o subsolo do mundo. – Jasper levantou a cabeça, mirando Edward – Sei levar a minha empresa para o topo do mundo e não consigo fazer com o que meu filho de um sorriso quando eu chego do trabalho. – seus olhos, furiosos e vermelhos de raiva em um misto de sensações que não tinham nomes, brilharam fortemente – Sei levar minha empresa para o topo, mas não posso, não consigo esquecer... – brecou na mesma hora e se levantou, parando de falar completamente e, como se mal tivesse pronunciado palavras, sentou-se em sua mesa e se pôs a trabalhar em perfeito silêncio.
Ed – Faça-me um favor, Jasper, me mande o relatório por escrito de toda a reunião, tenho certeza que está exercendo uma ótima função. Aproveite e peça para a secretária do Jack me mandar a pasta preta da contabilidade, preciso dar uma revisada e também preciso... – Edward parou de falar, mirando algum ponto em sua sala – Apenas faça isso. – sua voz caiu de tom – É só, Jasper, obrigado! - Jasper assentiu e, prestativo como sempre, deixou a sala. Edward pegou o telefone, ligando para a casa. Nelita logo atendeu.
Nelita – Oi, menino.
Ed – Oi, Nelita, o Gabriel está por aí?
Nelita – Está no quarto dele, Edward, apenas saiu para almoçar.
Ed – Vocês já almoçaram, então... – fechou os olhos, passando as mãos no rosto cansado – Então, me faça um favor, vou sair mais cedo hoje, deixe-o arrumado que vamos sair...
Nelita – Edward, não acho que ele vai querer sair.
Ed – Não importa, Nelita. Trancado nesse quarto é que ele não vai ficar.
Nelita – Ok, vou falar com ele. E... Menino, posso ir ao mercado fazer as compras de Maio?
Ed – Pode, Nelita, pode sim. – fechou os olhos – Me faça um favor também, diga ao Gabriel que a avó dele vai estar conosco, talvez seja um incentivo a mais.
Nelita – Ok, pode deixar, Edward, mais alguma coisa?
Ed – Não, é só, Nelita.
Edward desligou o telefone, se levantando e fechou o sistema digitando sua senha rapidamente. Após mais alguns minutos, a pasta preta da contabilidade havia chegado e enquanto descia pelo elevador checou os números; era realmente surpreendente a porcentagem que havia crescido nos últimos sete meses. Encostou a cabeça no metal frio do elevador, fechando os olhos e deixando, por alguns segundos, sua mente se desligar do mundo em que vivia.
Quando Edward chegou em casa, Gabriel não estava na sala, tomou um banho rápido, vestindo uma calça preta e uma blusa pólo de manga cumprida da mesma cor e penteou os cabelos, passando sua colônia. Se virou, observando a cama e, por mais alguns segundos, parou observando os lençóis brancos, imaculados, da mesma maneira que Nelita havia colocado há uma semana. Ele mal se sentava naquela cama. Na realidade, ele mal dormia nela.
Bateu na porta do quarto do filho, encontrando Gabriel sentado na cama, com as mãos no meio das pernas e com a cabeça baixa. Seu aniversário estava próximo e Edward sabia disso.
Ed – Olá amigão. – Gabriel levantou a cabeça, caminhando até Edward, o abraçando com força.
Gabriel – Oi pai.
Ed – Pronto para sairmos?
Gabriel – Sim... A tia Marieta ligou, pedindo desculpas, mas não pode ir. –se separou de Edward, caminhando para fora do quarto.
Ed – Ela me ligou no caminho, Marieta está cansada, filho.
Gabriel – Não precisa explicar, pai, eu compreendo...– Edward olhou sua criança que parecia ter crescido bons anos – Vamos?
Ed – Sim, vamos. – Já instalados no carro, e caminhando por vinte minutos, Edward parou na frente de um parque de diversões que era um perfeito sonho de qualquer garoto da idade de Gabriel.
Gabriel – Pai?
Ed – Estava pensando em comemorarmos seu aniversário aqui, o que acha? – Gabriel desceu do carro, mirando o local.
Gabriel – Por mim, tudo bem, pai! – Sem emoção, sem nada em sua voz, Gabriel respondeu entrando no parque e observando aquele perfeito mundo de sonhos.
Ed – Eu preciso mais do que essa resposta, eu preciso que você diga o que quer, filho... Qualquer coisa que você queira, nesse momento, eu lhe trarei. – Gabriel se virou, segurando o queixo trêmulo.
Gabriel – Eu quero a minha mãe, pai! – Edward engoliu a saliva, se levantando.
Ed – Podemos mandar os convites por correio, o que acha? É bem divertido, e teremos a certeza de que chegarão. Os amigos da escola, mais os amigos...
Gabriel – Eu quero minha mãe, pai!
Ed - ...Contrataremos pessoas do circo, pessoa que saibam entreter, o que acha de lanches? Essa porcariada que vocês...
Gabriel - EU QUERO A MINHA MÃE, PAI! – Edward se virou, vendo as lágrimas nos olhos vermelhos de Gabriel, que o olhava com a testa franzida e segurando o choro com força – EU QUERO A MINHA MÃE AGORA! – Edward fechou os olhos, cerrando o maxilar.
Ed – Gabriel, escute, filho... – se aproximou, se ajoelhando na altura do menino.
Gabriel – NÃO QUERO ESTÁ FESTA, NÃO QUERO LANCHES, BRINQUEDOS, NEM PARQUE DE DIVERSÕES, EU QUERO A MINHA MÃE... E QUERO AGORA! - fechou os olhos com força e Edward franziu a testa com a dor de um paidesesperado, o olhando.
Ed – Eu não sei onde está sua mãe, Gabriel... – confessou, depois de tanto tempo olhando nos olhos do garoto – Ela não me disse adeus, filho. Ela disse à você não à mim... – balançou a cabeça negativamente, sentindo o gosto amargo em sua boca – Ela lhe disse que iria demorar, não disse? - Gabriel assentiu, com o nariz e os olhos em um tom mais vermelho – Para mim ela não disse nada, querido. – Edward baixou a cabeça, piscando sem parar, controlando as lágrimas – E não é pecado um homem chorar...
Gabriel – Mamãe disse que eu sou o homem da casa e que eu teria que ser forte... – não conseguia falar devido à força que fazia para segurar o choro.
Ed – Estou orgulhoso de você... – Edward assentiu, deixando uma lágrima cair – Estou muito orgulhoso de você! – Gabriel assentiu com a cabeça, abraçando Edward, ajoelhado em sua frente, com força – Eu já fui até o fim do mundo, querido... Eu sinto muito, filho. – se levantou, o erguendo no colo e caminhando até o carro lhe acariciando os cabelos.
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