Bella se levantou e pegou sua bolsa, caminhando para a outra porta, outra saída. Edward notou que por fim suas pernas se moveram. Bella parou esse não havia sido seu plano; olhar nos olhos de seu filho, dizer que o amava e que não havia o abandonado e partir novamente. Bella não se virou nem um único momento.
Bella – Cuide dele... – disse e logo após continuou a caminhar. Como de costume, levou uma mão à grande barriga, para então, tão rápido como havia chegado, desaparecer.
Edward permaneceu ali, no meio da habitação, com o corpo em uma explosão poderosa que havia lhe roubado o pouco de sentido e controle que restava. Franziu a testa, olhando suas mãos pálidas, como deveria estar seu rosto.
Seu coração ainda batia?
Então, porque suas pernas não lhe obedeciam? Deu um primeiro passo, o segundo, então se pôs a correr, com tanta fúria e dor que quando finalmente chegou ofegante, na porta do parque, seu coração estava aos saltos, mas não havia ninguém ali. Na grande praça não havia ninguém, era tarde de domingo. Caminhou até a esquina, como se encontrá-la fosse sua fonte de sobrevivência.
Ed – Maldita seja Isabella! – quase gritou, chegando à esquina e não avistando nada e ninguém – Filha da mãe! – abaixou a cabeça tentando recuperar o fôlego – Eu não acredito nisso... – negou com a cabeça firmemente, dando uma gargalhada nervosa - Eu não acredito nisso.
Edward se pôs a caminhar furiosamente, como um leão indomado que estava preste a pegar sua primeira vítima. Tirou o celular do seu bolso e discou, afobado, o número 18 de sua agenda.
Ed – Diogo é o Edward. REMEXA E REVIRE CADA BURACO DESSA MALDITA CIDADE. EU A QUERO COMIGO. E A QUERO AGORA! – Desligou o telefone com fúria, sentindo seu corpo ainda trêmulo, descargas elétricas estavam por todos os lugares e seus olhos eram pedras de gelo que arrepiavam qualquer um que os olhasse agora.
Edward deu uma última olhada em sua volta e franziu a testa, levantou à mão trêmula cobrindo seus olhos, e aquela arrogância particular, a prepotência familiar, começou a correr por suas veias. Ele encontraria aquela mulher, nem que fosse a última coisa que precisasse fazer.
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Bella permaneceu encostada dentro do carro, com a cabeça abaixada, os olhos fechados. Respirou uma e duas vezes sem parar e abriu os olhos novamente, notando que ele não estava mais por lá. Sorriu ao ver que Gabriel se aproximava com Alice à procura do pai, que caminhava até a entrada do parque novamente. Ela se abaixou. Quando Gabriel franziu a testa, recomeçando a chorar, ela chorou junto. Havia tantas coisas que precisavam ser ditas.
Quando os três entraram, Bella assumiu seu lugar no volante com as mãos trêmulas e respirou fundo. Olhou em sua mão, da qual ainda seguia a aliança de casada, a girou no dedo, fechando os olhos.
Droga!
Mais um daqueles malditos enjôos a mataria. Colocou o carro em direção, arrumando sua bata branca no corpo e sorriu, alisando sua barriga. Não estava uma roliça, mas sua barriga estava ligeiramente crescendo a cada dia. Abaixou os olhos, pegando o celular. Já era hora de fazer contato com Rosalie.
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Gabriel entrou em casa suado e cheio de alegria e subiu as escadas em um pulo. Depois de um banho rápido, saiu à busca do presente de sua mãe. Sorriu com felicidade, se lembrando das palavras da mesma. Ela não havia o abandonado como as pessoas costumavam dizer, ela estava ali e havia se lembrado de seu aniversário. Ele havia sentido seu cheiro, tocado seus cabelos, havia deitado sobre os seios, que lhe eram tão familiares quanto maternais.
Gabriel abriu o guarda roupa com rapidez, deixando os diversos presentes do lado de fora, e fechou os olhos, sentindo o cheiro de sua mãe no ar. Ela havia passado por ali? Havia subido em seu quarto? Logo encontrou um caixa do tamanho da de um sapato; era um boneco que namorava há meses na loja, um boneco que havia saído há uns três meses atrás, e se sentiu ainda mais lisonjeado ao saber que ela lembrava-se de seu gosto e, talvez, havia sentido que aquilo era o que ele mais queria ganhar, depois do presente mais importante e principal: voltar a ver sua mãe novamente.
Sorriu para Edward, que estava ao pé da porta, com o semblante sério e os olhos arregalados, pálido feito uma folha de papel. O pai não retribuiu o sorriso, apenas fechou a porta, caminhando para as escadas rumo ao escritório.
Edward se encostou à mesa de vidro e abaixou a cabeça, levando as mãos por cima dos olhos. Sua cabeça latejou, de maneira tão incontrolável, que foi obrigado a se deitar no sofá de couro preto, sua cabeça girou de forma estranha. Fechou os olhos e, antes que pudesse se dar conta, estava sendo arrastado para o inferno particular que o havia consumido há meses atrás.
Sete Meses Atrás.
Edward acordou em sua cama quando já era noite, Gabriel dormia tranqüilamente ao seu lado. Como havia chegado ali? Não tinha a menor idéia! Sua cabeça doía e seus lábios estavam secos. O garoto havia tomado banho. Sentou-se na cama, reparando que também havia tomado banho e seu estomago se revirou, levou as mãos à cabeça, fechando os olhos.
E a realidade o pegou de forma certeira e dura: Ela havia partido!
Apertou os olhos com força, impedindo as lágrimas de caírem, mas era tarde, seu rosto se lavou de forma rude e grosseira. Olhou o filho atrás de si, as marcas das lágrimas ainda estavam no mesmo. Ele sentiu vontade de matar a si mesmo, havia assustado o menino, na realidade, ele havia assustado a si mesmo.
O vento soprava com força pela janela, a cortina balançava e o quarto estava apenas iluminado com a luz da lua. Edward voltou a se sentar na cama, com o coração batendo cada vez mais e mais lento. Era impressão sua, ou algo dentro de si estava morrendo? O vento bateu novamente e, com ele, o cheiro dos lençóis chegou ao seu olfato.
Edward arregalou os olhos, se levantando com rapidez e pegou seu telefone celular, discando uma vez seguida da outra, na espera que não desse novamente que o número já não existia. Suas pernas lhe faltaram e, sem perceber, estava no chão, ali no meio do quarto, sentado, e a única pergunta que podia se fazer naquele instante era: por que?
Bella - Sete Meses Atrás.
Bella dirigiu por mais de 3 horas até chegar a um hotel de beira de estrada, estava perdida e não havia uma coisa que ela tivesse consciência que estava fazendo, quando se deu por si, já amanhecia. Abriu os olhos e a primeira coisa que fez foi correr para o vaso sanitário e colocar para fora o pouco de nutriente que seu corpo possuía. Suada e grudando, os cabelos estavam espalhados pelo rosto, suas pernas estavam fracas e sua primeira opção foi sentar-se na frente da privada, controlando a náusea e os soluços do choro descontrolado que formavam um nó em sua garganta.
Ela queria seu filho. Queria Edward segurando suas mãos, lhe beijando a testa e esperando que aquela sensação horrível passasse como ele havia feito pela primeira vez. Queria Edward ao seu lado. Chorou. Chorou como talvez nenhuma mulher que amasse a seus filhos e marido chorou algum dia. O peso da solidão. O peso no coração.
Bella estava grávida, e sabia disso, precisava desesperadamente de seu marido lhe olhando nos olhos, do jeito que só ele fazia, dizendo para que confiasse nele e que tudo ficaria bem. Levou as mãos na testa, tossindo e botando para fora, mais uma vez, a pouca energia que possuía em seu corpo. Conseguiu se levantar e abrir o chuveiro entrou debaixo do mesmo, sentando-se no chão, e deixou a água fria penetrar seus poros, e talvez acalmar o vulcão que explodia, lhe queimando cada sentimento em seu interior.
Dias Atuais.
Edward abriu os olhos. Havia cochilado na poltrona? Levantou-se e percebeu que a bebida havia lhe subido a cabeça, voltou a se sentar, deixando o copo cair e se espatifar no chão. Enxugou o suor do rosto, tirando a camisa pólo. A sala girou e ele fechou os olhos com força, tentando por mais algumas horas, adiar o inevitável: pensar nela, lembrar dela.
Levou as mãos à cabeça, se lembrando da conversa que tinha tido com Alice
”Alice - Tenha calma, Edward, a criança é sua e nós sabemos. Bella seria incapaz de negar à você um filho seu...”
Calma? Alice realmente achava que ele pudesse ficar calmo, vendo o fantasma daquela mulher, vendo que ela carregava um filho seu?
Santo Deus!
Ele reuniu forças para se levantar, sentindo seu coração se acelerar, e mais uma vez se perguntou: por quê?
Por que ela não podia ter confiado e permanecido ao lado dele? Por que ela havia partido, lhe deixando em seu inferno particular com Gabriel, que sentia tanto sua falta? Por que ela havia o feito a amar daquela maneira devastadora e sofrida, para depois partir daquela maneira em uma noite tão conturbada?
Balançou a cabeça, tentando calar a voz das perguntas, mas durante meses elas permaneciam ali.
”Edward - Talvez seja eu, Bella. Talvez seja você... Talvez seja amor.”
Edward levantou-se do pequeno sofá, caminhando até a cozinha, tomou um copo de água e subiu para um banho, tentando esfriar seu corpo e sua mente, que fervia em conflito com seus sentimentos. Sentindo-se mais limpo e mais vivo, novamente desceu, precisava com urgência trabalhar. A madrugada inteira, o dia inteiro, era a única maneira de manter sua mente sã enquanto o telefone não tocava, enquanto Diogo não ligava lhe dizendo que a tinha encontrado.
Ele fechou os olhos, batendo a caneta contra a mesa e olhou o relógio. Gabriel havia deitado cedo e sentiria fome pela madrugada. Levantou-se, caminhando até a cozinha, fazendo um copo de leite do qual o menino havia lhe ensinado como gostava, deixou na geladeira, esperando até que desce o horário e voltou a se sentar, com o computador ligado e claro nos seus olhos. Digitou a senha do sistema, iniciando mais uma madrugada na qual sabia que lhe faria mal no dia seguinte.
Ele analisou números, contas, balancetes das duas empresas... O trabalho havia sido redobrado, mas havia dado conta. A hora passou com pressa, e de maneira automática. Gabriel descia as escadas, sonolento, na procura do pai. Edward sorriu se afastando da cadeira para que o menino se sentasse em seu colo. Gabriel se encostou ao ombro de Edward, voltando a fechar os olhos. Edward digitou mais algumas coisas, se levantando com o garoto no colo, pegou o copo de leite, dando nas mãos de Gabriel e sorriu, parecia um sonâmbulo, nem os olhos se abriam.
Após terminar, Gabriel voltou a se deitar sobre os ombros de Edward, que o levou de volta a cama, o cobrindo até o pescoço após um beijo na testa e deixando o quarto, voltando a se sentar em sua cadeira e mergulhando novamente a cabeça no trabalho. Quando amanheceu sentiu o cheiro de café vindo da cozinha, era Nelita que, de camisola, já deixava tudo pronto para quando Edward saísse. Ele se levantou da cadeira, esticando o corpo e caminhando até a cozinha.
Ed – Bom Dia, Nelita.
Nelita – Bom dia, Menino. – o olhou nos olhos cansados – Aposto que você não dormiu. Você vai ficar doente, Edward, e o menino precisa de você...
Ed – Não se preocupe, está tudo bem. – fechou os olhos cansados e pesados – Preciso de uma boa xícara de café e um banho... – Nelita, ainda séria, serviu uma caneca de café para Edward, que sentou se no banco alto, de frente para o balcão.
Nelita – Edward? – sentou-se na frente do mesmo, bebendo uma pequena xícara de café – Eu não queria tocar no assunto, mas... Notei que a Marieta não foi ao aniversário do Gabriel e... Marieta está adoecendo, Edward...
Ed – E acha que eu não sei disso? – olhou nos olhos de Nelita – Estou cansado de pedir para que ela venha morar comigo, que venha morar conosco... Está doente e está sozinha naquela casa enorme.
Nelita – Conversei com a menina Alice na festa, disse que vai permanecer lá com a Marieta, que não pretende se mudar.
Ed – Eu sei, falei com a minha irmã sobre isso ontem também. -sorriu tristemente – Está tão cansada e tem tantas coisas para contar dessa vida...
Nelita – É eu sei. Ofereci-me para ficar lá com ela, mas Alice não achou necessário, disse que tinha que ficar aqui e fazer o que Bella havia me ped... – se calou, fechando os olhos quando Edward baixou a cabeça, voltando a tomar seu café – Me desculpe menino. Mas é que, ás vezes... – desviou o olhar, deixando a xícara na pia – Apenas sinto falta dela. – Edward se levantou, fazendo o mesmo, deixou a caneca em cima da pia, saindo da cozinha em silêncio. Nelita o seguiu – Tem noticia dela, Edward? – sua voz era de pura preocupação – O menino sente saudades e... – Edward fechou os olhos, parando no último degrau da escada.
Ed – Isabella está bem, Nelita, sabe se virar.
Nelita – Não fale nem aja dessa forma comigo, menino. – Edward se virou a olhando – Nem ouse falar dela com desdém perto de mim. Por mais que eu o ame, Bella é minha menina. – Edward assentiu.
Ed – Eu a vi ontem. – Nelita arregalou os olhos, sorrindo de alegria.
Nelita – Fala sério? Onde?
Ed – Na festa do Gabriel. Foi até lá se encontrar com ele, dizer coisas que ele não quis dizer a mais ninguém.
Nelita – E como ela está? Está saudável? Está bem? – sua voz era de pura alegria e afobação.
Ed – Isabella não veio para falar comigo, Nelita, veio para falar com o filho dela. – baixou a cabeça, mordendo os lábios – De qualquer maneira, acho que vou ser pai de novo. – Nelita arregalou os olhos grandes e azuis.
Nelita – Está brincando?! Ela está grávida? – Edward assentiu – E onde ela está? Quando volta?
Ed – Nelita, Isabella não falou comigo, e mal olhou nos meus olhos. Veio para falar com o Gabriel, e eu não sei de mais nada... – Nelita franziu a testa.
Nelita - Como assim, não falou com você? Não falou comigo? Está grávida e não lhe disse nada e... – se entristeceu – Não quer voltar? - Edward levantou o olhar, voltando a subir as escadas – Menino, estou perguntando a você.
Ed – Nelita, eu não sei sobre Isabella. – elevou o tom de voz, franzindo a testa – Já mandei para que a procurasse, mas não sei, não sei onde ela está. Apareceu e depois desapareceu, como um fantasma... Não sei sobre ela. – Nelita assentiu, com os olhos arregalados e se virou, caminhando até a cozinha em perfeito silêncio. Edward fechou os olhos, respirando fundo. Precisava de um banho.
Bella abriu os olhos, o quarto ainda estava escuro, mas pressentia que já era manhã. Levantou-se, fazendo sua higiene costumeira da manhã; tomou um longo banho, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto, vestiu um agasalho branco, confortável, uma maquiagem leve e costumeira e o tênis logo após as meias. O tempo estava feio lá fora, uma segunda feira nublada e com chuva. Ela desceu as escadas, aquela casa era realmente maravilhosa.
Emmett – Bom dia, Bella. Até que em fim acordou. – Bella sorriu, caminhando até a mesa de café da manhã.
Bella – Bom dia, Emmett. – sorriu o cumprimentado e sentando-se a mesa - Rose, cadê você?
Rosalie – To aqui, espera aí... Aiii. – Emmett se levantou a ajudando a trazes as duas jarras de suco natural – Prontinho, amor, obrigada! Oi, Bells! Acordou bela adormecida... – Bella assentiu, observando Rosalie se sentar ao lado do marido.
Emmett – Dormiu bem? – Bella assentiu, bebendo um gole de suco.
Bella – Dormi muito bem. – sorriu tristemente – Na realidade, agradeço a hospitalidade, mas não deveria ter ficado por aqui, é arriscado demais.
Rosalie – De maneira nenhuma eu deixaria você viajar para aquele fim de mundo mais uma vez... Não é, Emm?
Emmett – Sim. E de qualquer forma, Bella, Mike há meses já não está mais na cidade.
Bella – Não está mais na cidade? – Rosalie negou com a cabeça.
Rosalie - Sabe, nesses meses, eu tentei fazer contado com você... – mordeu um pedaço de pão – Mas não achamos você em nenhum lugar. Tentei até procurar naquele apartamento em que morávamos... Mas nada. - Bella assentiu, franzindo a testa.
Emmett – Edward te procurou feito doido, Bella. – Bella baixou a cabeça e assentiu.
Rosalie – Notamos a diferença com o Gabriel também. O vemos pouco, mas vemos o que ocorre, sabe Bells? Na realidade, acho que você já deu um tempo para que a poeira abaixasse, para que as coisas entrassem no eixo, mas agora é hora de voltar, Bella, dizer ao Edward que está grávida, voltar para perto do seu filho. E que se ferre o resto!
Bella – Eu sei, é por isso que eu voltei, mas e se o Mike... – se calou – Eu tenho visto o crescimento da Cullen’s&Venturini, um escândalo desses, Rosalie... Não posso conviver com essa culpa, como você não pôde continuar vivendo com a sua. – mirou Emmett, que assentiu olhando a esposa – Eu dei um tempo, esperei que a poeira baixasse, mas nunca negaria ao Edward a filha dele. Jamais! Ele me pediu por ela. – sentiu seus olhos marearem – Preciso ir ver Marieta, pedir desculpas a ela. Preciso ver a Alice, meu sobrinho... Nelita. Preciso de vinte e quatro horas colada com o meu filho. Ontem eu vi o jeito que o Edward olhou para mim, Emmett... Eu conheço o marido que tenho, ele não vai perdoar. Não que na minha alma eu precisasse ser perdoada, mas ele não vai perdoar. Aquela arrogância e prepotência estavam nos olhos dele, a raiva...
Rosalie – Não pense dessa forma. Não a culpo, Bella. Ninguém a julga ou a culpa aqui. – Bella sorriu tristemente.
Bella – Talvez eu pudesse ter sido mais forte, mas não havia saída. Ou era aquilo ou era nada! Mike sabia, sabia de tudo e... Não tínhamos escolhas, e eu morreria por carregar um fardo tão pesado nas minhas costas. Você fez a sua escolha: voltar para a sua casa e contar ao seu marido. Eu fiz a minha. Agora pode parecer mais calmo, mas não foi fácil dizer ao meu filho que...
Emmett – Temos tido contado com o Edward, mas ele jamais perguntou por você, jamais perguntou por algo. E, mesmo que perguntasse, a verdade era que não sabíamos de você. Mas a verdade é que o Mike desapareceu logo quando você simplesmente sumiu. A empresa dele começou a ser investigada por sonegação de impostos... Você sabia que na noite antes de o Edward viajar para Londres ele havia se encontrado com o Mike? - Bella arregalou os olhos, olhando para Rosalie.
Bella – Não, eu não sabia.
Rosalie – Pensei que soubesse... – franziu a testa – Edward não lhe disse? – mordeu outro pedaço de pão, servindo outra xícara de café para Emmett.
Bella – Não, meu celular estava desligado e... – fechou os olhos tentando recordar – Ele havia ligado várias vezes, mas... Não, não entendo. Ele não me disse nada e logo em seguida eu parti.
Rosalie – Naquela noite eu não consegui falar com você, iria te dizer que eu estava voltando para falar com o Emmett...
Bella - Meu celular estava desligado, e logo em seguida comprei outro e cancelei aquele número. Edward poderia me rastrear pelo número de celular.
Emmett – Ou tem alguma coisa errada, ou simplesmente Mike desistiu dos planos que havia feito.
Rosalie – Não, ele não desistiria, Emmett! Estava faminto por poder e dinheiro, apenas algo muito forte o faria desistir, algo mais forte que ele, talvez. – Bella levou as mãos à cabeça, sentindo a confusão em cada parte do seu corpo.
Emmett – Edward. Só o Edward podia com ele, Bella. – Bella assentiu.
Rosalie – Bom, vamos falar de outra coisa, estamos no café da manhã e você, Bells, comerá por dois durantes os três meses a seguir. Ainda enjoada? – Bella assentiu, com a cabeça um tanto longe da mesa e sorriu ao ver o selinho que Emmett dava em Rosalie. Tentando afastar os pensamentos de sua mente, retomou ao café da manhã, sorrindo das besteiras que Rosalie falava. Era outra mulher, ou era impressão sua?
Emmett & Rosalie - Sete Meses Atrás.
Emmett olhou nos olhos de Rosalie, na espera que ela continuasse a falar o que de tão importante havia para ser dito. Ofereceu uma bebida, e ela recusou, ofereceu para que se sentasse, e ela também recusou, se preocupou e ele mesmo acabou se sentando, a olhando na mesma intensidade. Oh Céus! Sorriu, sentindo seu coração bater com rapidez. Adoraria se perder naqueles olhos e naquele corpo pelo resto de sua vida.
Rosalie - Você nunca pergunta sobre o passado... – Emmett franziu a testa.
Emmett – O nome mesmo diz passado é passado. – Rosalie fechou os olhos e se virou de costas, dando alguns passos sobre o salto alto.
Rosalie – Eu não tenho sido verdadeira com você, Emmett... E esse peso na minha consciência está a um fio de me por maluca. – Emmett se levantou, seu sorriso desapareceu – Antes de tudo, saiba que tudo o que eu vivi com você valeu a pena.
Emmett – Do que você está falando? – se aproximou. Estava tremendo ou era impressão sua? – Eu sei que há outro homem, mas quando você estava comigo? – Rosalie se virou, com os olhos arregalados e cobertos por lágrimas, e negou com a cabeça.
Rosalie – Não, eu não trai você. – negou veemente com a cabeça – Emmett escute, mas se for escutar, escute com o coração. Não que eu esteja com medo, mas... – se calou, se virando novamente.
Emmett – Está me deixando nervoso, Rosalie. - a pegou pelo braço com força, a virando para si.
Rosalie – Sabe que eu nunca tive família? Sabe que eu nunca tive ninguém e nem nada antes de conhecer você? Meus pais morreram, eu ainda era nova e... – fechou os olhos, naquele momento sentiu a vergonha arder em cada veia – Meus estudos estavam pagos até o colegial, mas quando acabou eu fui morar com uma tia minha, até os 22 anos, mas então ela se casou novamente e não havia mais espaço naquela casa para mim. Então, eu vim para capital. Eu não tinha dinheiro, eu não tinha... – suspirou, soltando um gemido de dor e Emmett franziu a testa, olhando-a nos fundo dos olhos.
Emmett – Por que está dizendo isso? Por que está falando sobre isso agora? – a segurou com ainda mais força pelo braço.
Rosalie – Eu tinha fome e não tinha medo de fazer qualquer coisa para sobreviver...
Emmett – ROSALIE. –gritou, na espera que ela logo falasse, e ela falou, com as lágrimas caindo pelo rosto e o olhando nos olhos.
Rosalie – Dois anos antes de conhecer você, eu era uma... - fechou os olhos – Eu era... – os abriu, segurando o choro – Eu era uma prostituta, Emmett. - Em rápidos segundos, Rosalie viu os olhos de Emmett perderem o brilho de forma brusca e grosseira, os olhos arregalados a miravam com incredulidade enquanto a mão que lhe prendia o sangue no braço caia de forma lenta.
Rosalie fechou os olhos, se abraçando e se afastando. Ele iria gritar, iria lhe ofender, iria...
Emmett – O que está dizendo? – Não se moveu suas pernas não lhe obedeciam – Espere, você está me dizendo, depois de tantos anos que você é...?
Rosalie – NÃO, EU ERA!
Emmett – Que você é uma prostituta?
Rosalie – NÃO, EMMETT, QUE EU ERA. EU ERA DOIS ANOS ANTES DE EU CONHECER VOCÊ. Eu tinha direito de uma vida descente. Eu estudei, larguei aquela vida, eu trabalhei me esforcei, me formei, arranjei um emprego digno. Eu tinha direito de ter um marido, uma família, filhos... – se derrubou em lágrimas, sob a mirada fria de Emmett – Eu tinha o direito de recomeçar, Emmett.
Emmett – VOCÊ MENTIU.
Rosalie – NÃO, EU NÃO MENTI. VOCÊ ESTAVA PREOCUPADO DEMAIS EM CORRER ATRÁS DA BELLA PARA REPARAR QUE SUA MULHER TINHA UM SEGREDO. NUNCA PERGUNTOU SOBRE A MINHA VIDA, SOBRE O MEU PASSADO...
Emmett – Santo Deus! – levou as mãos à cabeça.
Rosalie se calou, percebendo como ele sentava na ponta do sofá, levando as mãos à cabeça.
Emmett – Oh Meu Deus, Rosalie! Eu me casei com você, lhe dei o meu nome e... – se calou de repente, mirando o desespero naqueles olhos azuis, agora tão opacos.
Até o pior dos homens pode mudar!
Rosalie – Eu fui tudo o que você gostaria que eu fosse. Eu fui à mulher que você sempre precisou ter ao seu lado. – sua voz era raivosa e coberta por magoas – EU DEI a VOCÊ TUDO O QUE EU TINHA, O POUCO QUE EU TINHA... E ISSO NÃO TEM NADA A VER COM O FATO DE EU TER OU NÃO SIDO UMA PROSTITUTA. EU MUDEI POR VOCÊ. EU MUDEI POR MIM. DROGA EMMETT! DROGA! VOCÊ É UM FILHO DA MÃE, E VAI MORRER SOZINHO PELO SEU EGOÍSMO. – Emmett não respondeu apenas, permaneceu com os olhos cravados no dela – ENTÃO AGORA DIGA ... DIGA QUE ME AMA É QUE ESTÁ OBCECADO POR MIM. – Rosalie pegou sua bolsa e começou a caminhar para fora da habitação. Ela bateu a porta, caminhando sem rumo e sem direção, para aonde Deus a levasse.
Emmett franziu a testa, sentindo agora o impacto das palavras de Rosalie. Seu corpo adquiriu vida, suas pernas começaram a caminhar, a correr, até a porta, e assim pela rua a fora. Correu até a esquina, onde Rosalie virava, a gritou e na mesma hora a loira parou, sem se virar, permaneceu lá, parada, até que afoito e ofegante ele a alcançou.
Emmett – ME DÊ DOIS SEGUNDOS, OK? – o vento era forte e os cabelos de ambos voavam – MÊ DÊ DOIS MALDITOS SEGUNDOS. – Rosalie enxugou as lágrimas com fúria e Emmett cerrou o maxilar, a olhando nos olhos – EU AMO VOCÊ, E ESTOU OBCECADO POR VOCÊ! – o vento soprava com força, em um puxão rápido e forte ele, a trouxe para si e colou suas bocas, e em fração de segundos, a chuva se pôs a cair.
Até o pior dos homens podia mudar. Até o pior dos homens, podia sim, amar.
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