sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma Linda Mulher - 2ª Temp. - Linda.


Um, dois, três, quatro dias...

Madrugas e madrugadas em claro, visitas entre Marieta e Bella, um ritmo alucinante que o deixaria enfermo caso não dormisse 12 horas completas. Marieta repousava em casa, repetindo alguns exames e se consultando com especialistas a cada 5 dias. Amanhã seria a próxima consulta.


Alice passava as tarde com Bella, a distraindo enquanto Edward ficava com Linda e ouvia as mesmas noticias todos os dias. Gabriel havia ido vê-la e passaram manhã de domingo juntos. No quinto dia, Bella havia o mandado dormir em casa.

Bella – Preciso-te inteiro. – havia dito, arrancando um sorriso inseguro dos lábios de ambos.

No sexto dia, Bella pode ir ver Linda. Na realidade, era o que fazia nesse instante, sentada na cadeira de rodas, na UTI Neonatal ao lado da incubadora. Colocou as mãos pelos dois círculos abertos que levava até o corpinho quente de Linda, a tocou nas mãozinhas, não suportando a emoção, os dedinhos dos pés, das mãos, as orelhinhas tão pequenas como seu nariz miúdo. A respiração ritmada e controlada, os batimentos cardíacos no monitor... Edward apareceu em suas costas, colocando as mãos sobre seus ombros.


Bella – Olá, querida! – foi tudo o que pôde dizer, voltando a se calar, a alisando com extrema delicadeza e carinho.


A enfermeira, que checava os batimentos cardíacos, o soro e a medicação, fazia isso nesse exato instante, comovida com a fragilidade da mãe.

Enfermeira – Qual é o nome dela, mãe? – Bella subiu os olhos - vermelhos e perdidos - até a enfermeira.
Bella – Linda...
Enfermeira – É um belo nome.
Bella – Sim, é um belo nome!
Enfermeira – Acho que já está bom por hoje, está perdendo a cor, nota? – Edward assentiu – Se a doutora Clarissa te encontrar assim não deixará que venha amanhã. – Bella concordou, beijou as pontas de seus dedos para logo depois tocar a perninha de Linda.


Edward a conduziu de volta ao quarto, onde permaneceram em silêncio até que Bella voltasse a adormecer.






Um, dois, três dias...

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis semanas...


As noites pareciam lentas, os dias pareciam monótonos. Era como se as horas não passassem e quando o telefone tocava, todos os dias, perto da tarde, quando Bella, Edward e Gabriel voltavam do hospital, a expectativa era alta, mas ao constatar que não era de parte alguma da UTI Neonatal, Bella se recolhia para seu quarto, ou fugia de tudo, sentando-se ao lado de Marieta, no quarto arejado de hospedes.


Conversavam 40 minutos, o que era muito para Marieta, que às vezes caia no sono enquanto Bella lhe falava. Os medicamentos eram fortes e com efeitos colaterais perversos, as coisas pareciam estar estáveis. Edward a mantinha sob uma alimentação rígida e saudável, havia perdido peso nos últimos dois meses e isso o preocupava de maneira intensa.

Eram quase 10 da noite de uma quinta feira. Bella havia posto Gabriel para dormir, dado um beijo em Marieta, como fazia todas as noites com Edward, voltavam para seu quarto e se deitavam, mudos e com os sentimentos a flor da pele. O telefone tocou.
Bella se levantou, o pegando em cima da pequena instante de seu quarto. Fechou os olhos, sentindo seu coração bater com força.


Clarissa – Parece que tem uma mocinha aqui bem acordada que está gritando e acordando o berçário inteiro... – Bella sentiu o telefone cair por sua mão e fechou os olhos, chorando de alivio.

Edward se levantou com rapidez e pegou o telefone enquanto abria seu armário, esperando para se vestir. A médica disse mais algumas palavras e logo desligaram o telefone. Bella tirou a camisola, vestindo um agasalho prático, branco e calçou o tênis, deixando os cabelos soltos da forma que estavam enquanto Edward fazia o mesmo.


De repente, pararam no meio do quarto, se olhando e, em questão se segundos, ela estava em seus braços, o abraçando forte e lhe acariciando os cabelos. Era um grito de vitória que saia pelo choro emocionado de Bella enquanto sentia o perfume de seu marido tomar conta de seu olfato. Era um grito de vitória o recebimento de suas preces.


Avisaram Nelita que iriam para o hospital e, alegre com a noticia, ela havia dito para que irem em paz, que cuidaria de tudo por aqui.

Chegaram ao Hospital quase às 11 da noite. Fizeram o caminho que conheciam de cor até o 7° andar, tudo estava tão silencioso, até que Bella pôs o pé na sala e o choro alto de Linda fazia com que as enfermeiras, que acompanhavam o caso há tanto tempo, também se emocionassem.

Caminharam ambos até a pequena incubadora - agora aberta -, Bella a olhou sem aqueles aparelhos infernais no rosto, apenas com algumas coisas grudadas em seu peito, para monitorar os batimentos cardíacos. Os cabelos avermelhados, a pele rosada, as mãozinhas para cima, se mexendo, passando pelos cabelos e até os puxando.



Clarissa – Mas que menina mais nervosa, mamãe... – Bella se emocionou, soltando uma gargalhada gostosa, Edward fez o mesmo.
Bella – Hey, mocinha! - de rápido, Linda parou de chorar, abrindo os olhinhos espertos, na procura daquela conhecida voz. Bella sorriu ainda mais.
Clarissa – Pode pegar, mamãe... E alimentar também, deve estar com fome. - Edward a encorajou, com um brilho sobrenatural no olhar, Bella o mirou e engoliu o nó enorme que se formava em sua garganta, negando com a cabeça.
Bella – Não... – sorriu – Ela é o seu presente! – Edward entendeu o que ela falava.


As enfermeiras suspiraram de forma engraçada, fazendo com que Bella desce outra deliciosa gargalhada; estava acostumada com essas brincadeiras das enfermeiras, viviam dizendo que era uma mulher de sorte por ter um marido maravilhoso daquele.

Edward se curvou com cuidado e pegou Linda no colo, que choramingou, mas logo depois deitou nos braços de Edward, o olhando diretamente nos olhos, como se o pudesse ver nitidamente. Ele sorriu, lhe acariciando as bochechas.


Ed – Deus, eu sou tão grato por ter você! – Bella sorriu observando a cena e fechou os olhos por alguns instantes, para depois os abrir e, dessa vez, chorando de felicidade enquanto agradecia a Deus em seus pensamentos. Edward a olhou, sorrindo ainda mais emocionado. – Olhe nos meus olhos e diga o que você vê agora. – Bella sorriu, observando Linda bem acordada e desperta, que mirava Edward – Não eu digo... – a Doutora sorriu emocionada – Você me faz sentir o melhor dos homens, Bella. – ele se pôs sério e ela também – Na realidade, me desculpe, querida... – assentiu com a cabeça – Você é a melhor das mulheres! - olhou sua filha em seu colo – Você me dá mais do que um homem que já errou tanto nessa vida com você, meu amor, pode receber. – realmente se emocionou, a mirando nos olhos, repetindo com fervor novamente – Deus, eu sou tão grato por você! – As enfermeiras mergulhavam em lágrimas, com sorrisos bobos no rosto.


Bella não se mexia, não podia articular uma palavra, nada. Nada se compararia ao que tinha acabado de ouvir por um homem que, comparado aos erros dela, não havia errado tanto assim. Mordeu os lábios, soltando um sorriso iluminado e Edward fez o mesmo, se aproximando ainda mais dela.


Bella – Olhe para mim. – ele o fez – Nada... Escute-me bem, Edward. Nada nesse mundo pode pagar o que eu sinto por você. Eu só sou uma mulher... – abaixou a vista – Eu só sou uma mulher que errou demais. - afirmou com a cabeça, voltando a o olhar nos olhos - Eu só sou uma mulher perdida de amor por um homem como você. – Ele negou com a cabeça, franzindo a sobrancelha e olhou Linda em seus braços, que abriu um sorriso iluminado, como o da mulher a sua frente. Da sua mulher. Deus!


Aquilo só poderia ser amor!



Edward continuou a sorrir, observando o rostinho pequeno e o olhar com tanta atenção. Bella sentou na cadeira, na espera de, finalmente, segurar sua filha nos braços. Céus! Jamais a soltaria novamente.



Edward se curvou, entregando Linda, amavelmente, embrulhadinha no xale cor de rosa e Bella suspirou de alegria, olhando os olhos castanhos claros de Linda, os cabelos avermelhados como os seus, as bochechas altas, a boca, que parecia mais um coração de tão avermelhado. Sorriu e, como se pudesse entender o que se passava, Linda sorriu de volta.



Bella – Gabriel vai se pôr louco quando ver-te, meu amor... – a acariciou nas bochechas, lhe beijando carinhosamente a testa – E se lembre, quando ficar maior, de agradecer ao seu pai, ele pediu por você! – Edward sorriu e o coral de suspiros das enfermeiras fez com que todos caíssem em uma gostosa gargalhada – Aproveite e fale para essas senhoras que esse bonitão é o seu pai e é casado com a sua mãe. – as enfermeiras, sorrindo, dispersaram pelo berçário, observando os outros bebês que estavam adormecidos.
Clarissa – Ela vai começar a gritar se você não alimentar, mãe.
Bella – Eu posso? – Clarissa assentiu.



Com cuidado, Edward segurou Linda enquanto Bella abaixava a blusa e abria o fecho do sutiã, as lágrimas desciam por seu rosto, recebeu Linda de volta em seus braços e ela, na mesma hora, se pôs a mamar, concentrada no rosto de Bella, que lhe alisava os cabelos com o maior sorriso já visto em seus lábios.


Ter Gabriel havia sido a coisa mais gratificante em sua vida, ter Linda era o mesmo que sentiu quando Gabriel, pela primeira, vez mamou, mas de uma maneira ainda mais emocionante. Aquela pequena criança em seus braços era tão vitoriosa. Apesar das circunstancias, da gravidez solitária de Bella, das brigas enlouquecedoras com Edward, o nervoso e a preocupação com Marieta, ela estava ali, tão desperta e atenta, que Bella não pôde fazer mais do que chorar.


Clarissa – Vamos conversar sobre algumas coisas, pais. – sentou-se em uma cadeira ao lado de Bella – Essa mocinha aí precisa de cuidados. Humn, vou deixar que vá para casa porque hospital não é um ambiente agradável e saudável para bebês, principalmente para a Linda, que por mais que esteja assim desperta é bem sensível, portanto...
Ed – Pode deixar, Doutora, tomaremos todos os cuidados necessários.
Clarissa – Eu tenho certeza que vão! – sorriu satisfeita – Bella, preciso que venha daqui cinco dias ao hospital. – Edward engoliu a saliva – Precisamos nos falar sobre algumas coisas. Além do mais, achei que perdeu peso... - Bella assentiu, fascinada com Linda em seus braços. – Pai, posso falar com você? – Edward assentiu, caminharam para fora do berçário – Dei um tempo à você, mas parece que as coisas não foram esclarecidas...
Ed – Eu sei... – perdeu o sorriso – Mas, olhe para ela, Clarissa, não podia dizer isso assim. Além do mais, precisamos fazer ainda mais exames e...
Clarissa – Eu, como médica dela, não poderia deixar que isso acontecesse, poderia ser falta de ética na minha profissão.
Ed – Não posso dizer isso a minha mulher sem ter uma certeza, Clarissa, esses meses foram os mais... – se calou, negando com a cabeça – Eu não tinha como, isso só iria fazer com que ela se acabasse ainda mais. Pelo amor de Deus, Clarissa, espera a confirmação desses exames! Eu assumo a culpa, ok?! – suplicou com o olhar – Mas não posso ver minha mulher se acabando hora após hora, novamente. – Clarissa pensou por um breve momento.
Clarissa – Até a confirmação dos exames, Edward, e nada mais! – Ele assentiu e voltaram ambos para o berçário, e Bella permanecia sorridente, sentada, amamentando Linda.
Bella - Está tudo bem, Ed? – Ele assentiu, dando um sorriso nervoso e pegando a bolsa e as coisas de Linda e de Bella.


Se despediram de toda a equipe do hospital, agradecendo, com fervor, por cada carinho e cuidado que tiveram com Linda. Chegaram em casa quase a uma da manhã e, para a surpresa, Nelita e Gabriel esperavam no sofá, aflitos.


Ed – Hey, amigão, o que está fazendo acordado essa hora? – Gabriel correu, pulando no colo de Edward, a todo custo tentando ver a irmã no colo de Bella.
Gabriel – Eu não acredito que a Linda já veio para casa! – seu sorriso era excepcional e o brilho em seus olhos fez com que Bella o amasse ainda mais.
Bella – Precisamos falar baixo, porque ela está descansando... – Gabriel assentiu, se calando e arregalou os olhos, se inclinando no colo de Edward enquanto Bella afastava o fino chalé de seus ombros. Ele sorriu, abrindo a boca e sussurrou, fazendo com que Edward risse ainda mais.
Gabriel – Yes! Eu não disse que ela seria a cara da mamãe?! Hey, Linda, você é linda, sabia? – lentamente, levou as mãos até as bochechas rosadas da irmã – Eu sou loiro e ela é morena, que engraçado, papai! – riu sozinho – Bella sentou-se no sofá e Gabriel, em um pulo, sentou-se ao lado dela, observando atento cada gesto do bebê.
Bella – O Papai era loiro quando tinha a sua idade. Ahh, tomara que a Linda fique morena, como eu! Três Cullen’s é demais para mim.
Nelita – Que benção de Deus, Bella, que coisa mais linda! – sorriram.
Ed – Estou até vendo as cantadas... Ahh, Bella, só você mesmo!
Gabriel – Mãe, por que ela é tão pititiquita?
Bella – Porque bebês são pequenininhos, você também era bem pequenininho.
Gabriel – Assim, igual à Linda?
Ed – Não, você era um pouco maior, a Linda é bem pequenininha porque ela nasceu antes do combinado.
Gabriel – Ahh, entendiii! Mãe? PosssofaltarnaescolaamanhaparaficarcomaLinda?
Ed / Nelita – O quê? – Bella sorriu, passando as mãos sobre os cabelos lisos de Gabriel, o beijando por todo o rosto.
Bella – Pode, pode ficar sim, amor!
Nelita – O que foi que ele falou?
Ed – Se podia faltar amanhã na escola para ficar com a Linda.
Nelita – E como você entendeu? – Gabriel sorriu, pegando na mãozinha da irmã e distribuindo beijos.
Ed – Dicionário de Pais, conhece né, Lita?! – Nelita sorriu.


Após mais 40 minutos de conversas, perguntas e muitos sorrisos e carinhos da parte de Gabriel, Nelita se recolheu e enquanto Edward levava Linda até seu quarto, Bella subiu, colocando Gabriel na cama.

Bella – Durma com os anjinhos, tenha uma boa noite! – lhe beijou a testa, se levantando após subir a coberta de bichos da selva. Gabriel a mirou antes que saísse.
Gabriel – Mãe?
Bella – Fale, querido.
Gabriel – Promete que nunca mais vai ficar doente? Não gosto quando você fica doente, na realidade, eu sinto medo... – Bella sorriu comovida.
Bella – As pessoas ficam doetinhas, filhos, é coisa da vida. Se lembra? Conversamos sobre isso, mas jamais vou te deixar, ok?! – Gabriel assentiu, fechou os olhos virando se de bruços – Eu te amo, filho!
Gabriel – Eu também te amo, mãe! Vou sonhar com a Linda e amanhã a gente vai brincar, jogar bola, cair na piscina, comer um montão de doces e... – Bella esperou na porta, atenta ao que o menino falava, até que ele caiu no sono. Apagou a luz, encostando a porta e caminhou até o seu quarto, onde Edward permanecia com Linda no colo, sentado na beirada da cama.
Ed – Gabriel dormiu?
Bella – Sim, depois de enumerar cada coisa que vai fazer junto com a Linda amanhã, incluindo mergulhos na piscina, um montão de doces e jogar bola... – Edward negou com a cabeça, sorrindo.


Bella colocou sua camisola, sentou-se na cama e prendendo os cabelos em um coque superficial. Edward a entregou Linda e Bella encostou as costas no travesseiro, sentindo-se relaxada, ele botou a calça do pijama, preta e de seda e sentou-se na cama, checando as mensagens de seu celular.

Bella – Está tudo bem na Cullen’s?
Ed – Sim, tudo ótimo, mas nada de falar de serviço, já tenho o suficiente terça-feira... – sentou-se ao lado de Bella.
Bella – Ela é calma... – Edward assentiu.
Ed - Acha melhor trazer aquele bercinho móvel para cá, ou coloca-la no berço?
Bella – O traga para cá, não quero que ela fique de madrugada sozinha. Se acordar e não ouvirmos... - Edward concordou, apreciou mais alguns minutos e levantou-se.


O bercinho estava montado, as coisas, caso Bella precisasse a trocar, ao lado em uma bolsinha no próprio berço. Pegou Linda nos braços, a colocando no berço e a cobriu com a manta branca e quente, esperou alguns segundos para que a menina se acostumasse ao local e respirou aliviado, a vendo dormir tão tranqüilamente, com a certeza que ela iria acordar.


E acordou mesmo, às três da manhã, as seis da manhã, chorou, gritou, voltou a gritar por motivo nenhum, trocaram fralda, Bella amamentou, voltava a adormecer e, como um relóginho, em três horas exatas voltava a acordar, gritando a plenos pulmões. Edward gargalhou da inquietação de Bella ao trocar a terceira fralda da noite.

Bella – E se estiver com dor? Linda, filha olhe para mamãe, alguma coisa está doendo? Olhe, Edward, sai até lágrimas...
Ed – O Gabriel fazia a mesma coisa. Se acalme, Bella, não está sentindo dor. – Bella a pegou no colo e caminhou de um lado para o outro, cantou canções e nada.
Bella – Será que é fome de novo? Não faz nem 1 hora e meia que ela mamou...
Ed – Vem, senta aqui, tenta de novo... – Bella assentiu e sentou-se na poltrona, fazendo todo o processo novamente e Linda parou de chorar, achou o peito de Bella, fechando os olhos em agradecimento.


Bella mordeu os lábios, olhando Edward e não teve jeito, ambos caíram na gargalhada em plena 6 horas da manhã de um noite deliciosamente mal dormida.

Ed - Sorte que a Mari está fazendo exames no hospital essa semana, se não já estaria acorda faz é tempo, tem o sono leve...
Bella – E você, filha, tem uma garganta poderosa. Pronto, dormindo! Ahh, que sonho... – beijou a testa de Linda superficialmente, encostou-se na poltrona e fechou os olhos - Faz tantos anos que cuidei de um bebê. – Edward se levantou e observou Linda, que dormia perfeitamente, a pegou do colo de Bella, a colocando no bercinho e a cobriu com a manta. Bella permaneceu sentada na poltrona, levou as mãos sobre os olhos, bocejando.
Ed – Vamos deixar o Gabriel dormir até mais tarde hoje, não vou trabalhar...
Bella – Era o que eu esperava. Nesses dois meses, trabalhou por mil anos. – levantou-se, indo para cama junto com Edward.
Ed – Que exagero, Bella.
Bella – Exagero nada. Aliás, eu não sei como não ficou doente. – bocejou novamente – Desculpe, Edward!
Ed – Desculpar pelo que?
Bella – Estive distante nesses dois últimos meses... – o olhou nos olhos – Não fui uma boa esposa.
Ed – Você estava sofrendo como mãe. Não diga tolices.
Bella – Olho nos seus olhos e vejo a tristeza, por mais que agora tudo está bem com Linda, sofre por Marieta e por outra coisa, eu posso sentir... Quer conversar? Sou sua melhor amiga antes de ser sua mulher... – Edward engoliu a saliva, mirando outro lugar que não fosse os olhos dela. Como dizer a mulher a sua frente que... – Vai dar tudo certo, você vai ver! Mari vai seguir o tratamento e melhorar, é como esperamos e rezamos, se lembra?

Ele assentiu com a cabeça, subindo as mãos até o rosto de Bella e lhe alisando a franja que caia sobre os olhos.

Bella – Tudo o que eu disse pra você aquele dia era a verdade... Olhe para mim. – ele o fez, cerrando a maxilar – O que está acontecendo? – Ele não podia fazer isso, não agora, quando podia ver o brilho cintilante nos olhos dela.
Ed – Você está bem? – Bella suspirou, negando com a cabeça.
Bella – Não mude de assunto, sabe que estou bem. Foram longos dias, fomos testados da maneira mais dolorosa possível, eu sei disso, mas me pediu força, se lembra? Disse que sem mim você não conseguiria, eu fui forte, Ed... Por mais que tenha estado distante, eu fui forte. Você me prometeu que tudo ficaria bem e, olhe ali... – sorriu, mirando o berço, onde Linda repousava tranquilamente – O seu presente saudável e tranquila. – Edward baixou a cabeça.

Como poderia mentir a olhando nos olhos com tamanha intensidade? Suas mãos tremeram, seu coração começou a bater de forma mais rápida.

Ed – Precisamos conversar...
Bella – Oh, Graças a Deus! Se não te olho nos olhos assim nada funciona, não é?
Ed – Escute-me. – se aproximou, levanto a outra mão do outro lado do rosto de Bella – Conversei com a sua médica hoje...
Bella – Linda está bem? – se preocupou visivelmente.
Ed – Sim, está. – tremeu na procura de achar algum modo menos doloroso para lhe falar – Depois que a Linda nasceu, você teve outra forte hemorragia... - Bella concordou, se lembrando das dores infernais por 3 semanas seguidas – Foi bastante complicado parar essa hemorragia para que você permanecesse viva, e esses procedimentos costumam ser bastantes evasivos. – os olhos de Bella se escureceram, ela se afastou um tanto, de modo que as mãos de Edward caíram de seu rosto – Estamos fazendo exames, não estamos? – Ela concordou, com a testa franzida, com o olhar cravado no seu – Às vezes, esses procedimentos geram a... – se calou, engolindo o nó na garganta, afastou sua visão até sua filha.
Bella – Você está tentando me dizer que eu não posso mais... – baixou a cabeça, tentando assimilar a informação que havia lhe rasgado uma parte do coração.
Ed – Não temos certeza, querida. – franziu a testa, desviando seu olhar uma vez mais – Clarissa vai pedir novos exames e...
Bella – Eu vou fazer o café.


Bella se levantou em um pulo, passou os olhos sobre Linda, deixando o quarto em velocidade máxima e caminhou pelo corredor com o coração nas mãos. passou no quarto de Gabriel, lhe dando um beijo na testa e o cobrindo uma vez mais. Seja forte, Bella... Seja forte!

Desceu as escadas vendo o bilhete de Nelita, que dizia ir até o hospital, iria passar a manhã com Marieta. Pegou as coisas como um robô, com as mãos trêmulas, deixou cair o café e antes que a água quente caísse sobre sua mão, Edward a puxou de perto da pia, vendo o liquido fervendo se espalhar pela mesma, caindo no chão.

Ed – Pare! – a segurou com firmeza pelos pulsos, a virando de frente para si.
Bella – Meu Deus, Edward! – mordeu os lábios, se chorasse iria ser melhor, mas aquele nó no estomago e em sua garganta estava lhe fazendo mal – Meu Deus! Eu-eu-u...
Ed – Olhe para mim. – sua voz se fez um tanto mais alta, ela o olhou – Não faça assim... – ela ficou sem palavras.
Bella – Você acha que dois está bom para nós? – seu sorriso era triste e profundo.
Ed – É claro que está! – a abraçou com força enquanto ela concordava, o apertando com força contra seu corpo - Sua tola, é claro que é.
Bella – Eu não posso chorar...
Ed – Nós não vamos mais chorar. – ela assentiu mais uma vez, mordendo os lábios trêmulos.
Gabriel apareceu na porta, andando nas pontas dos pés, com as sobrancelhas erguidas e mirou os pais, que o miraram, soltando-se do abraço. Gabriel sussurrou baixinho, com os olhos ainda arregalados.

Gabriel – Mamãe, já podemos acordar a Linda agora? – Edward o olhou com ternura, o pegando no colo e se abraçou a ele enquanto Bella soltava um sorriso, finalmente deixando escapar algumas lágrimas.
Bella – O que acha de esperarmos mais algumas horinhas? – Gabriel pensou, pensou e no final concordou. Ele e Edward sentaram-se na mesa famintos. Bella se debruçou na pia, enxugando as lágrimas e fungou, descongestionando o nariz.
Gabriel – Está tudo bem, mãe? – Bella se virou, se recompondo.
Bella – É claro que está! Uma rodada de panquecas com mel?
Gabriel – Ahh, que deliciaaaa!

Edward a observou por longos minutos enquanto preparava as panquecas, parecia distante e ao mesmo tempo lutava contra as lágrimas. Depois de mais de uma hora de farra, ainda sentados na mesa, tomando um suco de laranja natural feito a pouco por Edward, a babá registrou aquele chorinho gostoso e agudo. Gabriel pulou de alegria, sorrindo animado. Edward subiu, caminhando até Linda.

Ed – Nossa, mas que escândalo para uma pessoa tão pequena! – sorriu ao ver que até lágrimas saíram, e tudo isso por não ouvir a voz de ninguém no quarto – O papai veio te salvar, foi? – a pegou no colo e em alguns minutos conseguiu a acalmar. Com Linda desperta desceu as escadas com cuidado – Agora, grita para o seu irmão... – Edward sentou-se no sofá e Gabriel logo veio ao lado dele, fazendo caretas e entretendo Linda, que soltava uns sorrisos que Bella ainda não tinha visto.
Bella – Olha como ela sorri com você, filho...

Gabriel – Você me ama e eu te amo, né Linda?! Posso pega-la, mamãe? – Edward observou Bella, que estava meio insegura e sorriu a ela, tentando passar segurança.
Bella – Só um pouquinho, certo? Ela ainda é toda molinha, filho, faz 2 meses que nasceu, mas é como se tivesse nascido ontem... - Gabriel assentiu, sentou-se no sofá e com extrema responsabilidade segurou Linda nos braços, com a ajuda de Bella.

Ahh, a experiência durou por pouco tempo; Linda fez uma careta, abrindo o maior berreiro. Bella sorriu e a pegou no colo, a deitando contra seu peito, a segurando pelas costinhas e pela nuca.

Gabriel – Tudo bem, a gente tenta outro dia, mãe.
Ed - Que tal se agora nós brincássemos de CÓCEGAS... – Gabriel soltou uma gargalhada, correndo para o quintal, onde Edward o seguiu o caçando e o enchendo de cócegas.

Bella negou com a cabeça, sorrindo e sentou-se no sofá com Linda mais calma em seus braços. Fechou os olhos por alguns instantes, cantando a canção de ninar que sua mãe lhe cantava quando pequena. Digeriu a informação que Edward havia lhe dado, apertou ainda mais os olhos, mordendo os lábios e sentiu o movimento de Linda sobre seus seio e a mirou.

Era tão grata por ter tido seus filhos, e culpar a Deus não seria a solução. E também não estava em cogitação. A acariciou pelas costas, continuando a canção de ninar, ouvindo as gargalhadas de Gabriel, no jardim, que a essas alturas, rolava pela grama com Edward.

Não, culpar alguém não seria a solução! Criar seus filhos com amor e toda ternura, seria.

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