Ela se virou, o mirando nos olhos, e sua vontade foi de fugir. Mas isso não aconteceria, ele não a deixaria sair dali. Não inteira. Estremeceu mais uma vez, levando a mão à barriga. Sua voz era fria e calculista, assim como os olhos de Edward, que a miravam.
Ed – Eu estou a um fio de perder o controle. E que Deus te ajude, Isabella, se isso acontecer.
Bella – Deixe-me descer, Edward, e quando estiver mais cal...
Ed – PARA VOCÊ FAZER O QUE? VIRAR AS COSTAS E FUGIR, SUA COVARDE? SUA MALDITA COVARDE! – Bella fechou os olhos, assustada pelos gritos – Filha da mãe! – praguejou, com os dentes cerrados – Qual é o seu problema? – Bella se virou novamente para ele – Você some aí você aparece... Depois, a bela Cinderela desaparece, e depois vem ver o filho no colégio. Você é doida, Isabella? - ela o fuzilou com o olhar, pronta para dizer certas verdade, mas não teve tempo – Quer bancar a boa mãe agora? Sabe quanto tempo esteve fora? SETE MESES. SETE MESES, ISABELLA, NÃO SETE DIAS. – Bella se virou para a janela – OLHE PARA MIM! – gritou descontrolado, com o rosto já fervilhando de raiva. Ela o fez – ONDE VOCÊ ESTAVA COM A CABEÇA QUANDO PENSOU QUE SERIA MELHOR QUE PARTISSE? O MEU FILHO PRECISAVA DE VOCÊ. DROGA! EU PRECISAVA DE VOCÊ...
Bella – EU JAMAIS ABANDONEI MEU FILHO, EDWARD, EU JAMAIS ABANDONARIA MEU FILHO E SABE DISSO.
Ed – MAS COMIGO AS COISAS FORAM DIFERENTES.
Bella – NÃO, AS COISAS NÃO FORAM DIFERENTES. DROGA! VOCÊ NÃO PODERIA ENTENDER... – fechou os olhos, controlando as náuseas.
Ed – EU NÃO PODERIA ENTENDER? – bateu com força no volante, assustando novamente Bella - O QUE TE FEZ PENSAR QUE TUDO O QUE EU CONQUISTEI NESSA VIDA VALIA MAIS DO QUE TUDO O QUE EU CONSTRUI COM VOCÊ? O QUE TE FEZ PENSAR QUE EU NUNCA DEIXARIA TUDO E QUALQUER COISA PARA VIVER COM VOCÊ NO QUINTO DO INFERNO, SE FOSSE PRECISO?
Bella – EU NUNCA DUVIDEI QUE VOCÊ O FIZESSE, MAS NÃO SERIA JUSTO, EDWARD, ISSO ERA UM PROBLEMA MEU QUE NÃO ENVOLVIA A NOSSA FAMILIA. - Edward gargalhou alto e com ironia – SERIA A MINHA CONSCIÊNCIA QUE PESARIA PELO RESTO DA MINHA VIDA, SERIA EU QUE VIVERIA INFELIZ POR UM ERRO QUE EU HAVIA COMETIDO.
Ed – VOCÊ SENTIRIA VERGONHA QUE TODOS SOUBESSEM QUE VOCÊ ERA UMA VAGABUNDA ANTES DE ME CONHECER?
Foi só uma tapa que recebeu, mas forte e amargo o suficiente para que Edward sentisse a ardência dos cinco dedos em seu rosto, as marcas do tapa também havia ficado. Ele levou a mão até o mesmo, tirando a mecha de cabelo que caia sobre seus olhos e observando o semblante horrorizado de Bella.
Bella – TEM RAZÃO, SEU FILHO DA MÃE, EU ERA A SUA VAGABUNDA! – Bella forçava a porta para sair enquanto Edward continuava do mesmo jeito, com o olhar perdido e mareado.
Bella tirou a chave do miolo, apertando o botão com fúria, e as portas destravaram e, com rapidez, saiu do carro, esquecendo-se de seu estado. Tudo girou, e ela levou as mãos na boca. Deu dois ou três passos antes de sentir as mãos de Edward a alcançarem. Fechou os olhos, tirando a mão da boca e colocando todo o café da manhã, mais uma vez, para fora. Bella não sabia se chorava de raiva ou desespero.
Edward lhe tirou os cabelos do rosto, passando as mãos pelo mesmo, tirando o suor do rosto de Bella. Os seus próprios cabelos caiam em seus olhos enquanto a segurava com firmeza, e ela continuava a colocar tudo de dentro do estomago para fora. Balançou a cabeça negativamente, segurando o nó na garganta quando viu a mão esquerda que segurava fortemente seus braços; ainda continha a aliança dourada. Quando, por fim, ela se acalmou, levou as mãos à boca, se soltando dos braços de Edward.
Bella o olhou novamente, com horror, antes de perceber que tudo estava em uma longa e infinita escuridão.
Quando abriu os olhos, estava deitada em uma cama grande e confortável, que logo reconheceu como sua cama. Gabriel sorriu ao seu lado, debruçado na cama com o uniforme e a mochila da escola.
Gabriel – Ufa mãe! Pensei que dormiria a noite inteira. – Bella sorriu, levando a mão até os cabelos do menino.
Ela sentou-se, recuperada, e seu semblante logo mudou quando viu Edward de costas para ela na janela.
Gabriel – Se sente melhor? Papai disse que você estava cansada e acabou pegando no sono. – Bella assentiu, sentindo um gosto amargo na boca. Caminhou até o banheiro, com Gabriel a seguindo, contente e sorridente – Sabe, disse a todos os meus amigos da escola que você estava de volta em casa... - abraçou Bella quando a mesma terminou de escovar em os dentes. Bella retribuiu, mirando o quarto; tudo continuava a mesma coisa.
Bella – Está tudo bem, mas aposto que ainda não tomou banho, por isso, corra que já estou te seguindo. – Gabriel correu pelo quarto, entrando no seu. Bella sentou-se na cama, pegando sua sandália baixa.
Ed – Eu deveria saber que mulheres grávidas não podem passar nervoso. – se virou, com o semblante frio da mesma forma – Me desculpe por isso.
Bella – Vai para o inferno, Edward!
Ed – Eu já estou nele. – Bella se levantou a ponto de o ver caminhar até ela – Mandei que um dos meus funcionários trouxesse suas roupas de volta...
Bella – Com a ordem de quem?
Ed – Com a minha ordem! – se virou novamente de costas para Bella.
Bella – Não vou ficar...
Ed – Então diga isso ao seu filho, que está esperando por você no banho. – Bella se calou e, cerrando os dentes, abriu o guarda roupa, vendo que suas roupas continuavam ali. Todos os terninhos, camisas, sapatos e jóias. Fechou os olhos, batendo a porta do guarda roupa e ouvindo a voz alegre e animada de Gabriel a chamar.
Bella – Cometendo os mesmos erros, Edward?
Ed – Você não vai sair dessa casa.
Bella – Se atreva! – seus olhos brilharam de raiva e desgosto.
Edward se virou, a encarando, e a pegou pelos braços e, antes que Bella pudesse perceber, ele a levava com calma e silêncio até a porta do banheiro de Gabriel.
Gabriel – Hoje é a mamãe, pai. – Edward a soltou e Bella sorriu, engolindo a seco.
Bella caminhou até o filho, sentando-se na beirada da banheira e o ajudando a tomar banho. Sentiu o cheiro da comida de Nelita e seu estomago gritou de fome. Após terminar, com sorrisos e gargalhadas, enxugou Gabriel, lhe distribuindo beijinhos pelo peito e pelo rosto, o menino adorava e sua alegria era tão transparente em seus olhos que Edward engoliu seco, saindo do quarto silenciosamente.
Bella colocou o pijama no garoto e lhe penteou os cabelos, passando o fraco perfume de bebê. Ela o beijou, lhe dizendo novamente que o amava e, de mãos dadas, desceram até a sala de jantar, para logo receber o olhar iluminado e o sorriso maravilhoso de Nelita, devolveu o sorriso.
Nelita – Fiz sua comida preferida, minha filha. – Bella assentiu agradecendo.
Bella – Preciso de um banho. Podem ir jantando e depois eu janto. – Gabriel assentiu, já atacando o prato, e Edward cruzou a perna, a olhando diretamente, esperando até que os olhares se cruzassem.
Nelita franziu a testa, percebendo o clima, Bella virou para as escadas, subindo silenciosamente, como fazia. Edward baixou a cabeça, segurando o garfo com força, era como se ela nunca tivesse saído dali.
Bella enfiou a cabeça debaixo do chuveiro, sentindo seu corpo tenso relaxar e levando as mãos à barriga, parando por um instante, sentindo o bebê mexer. Sorriu, fechando os olhos, e terminou o banho se sentindo mais relaxada. Vestiu outro de seus agasalhos, dessa vez um rosa bem clarinho, penteou os cabelos, descendo e encontrou seu lugar na mesa pronto, e Gabriel no colo de Edward, quase adormecido.
Em silêncio, ela se sentou, comendo lentamente. Após tomar um copo de suco de laranja natural, se sentiu satisfeita e Gabriel, sonolento e coçando os olhinhos, caminhou até ela. Bella o pegou no colo e, sentada ainda na cadeira, o beijou, o aconchegando em seus seios e de imediato ele adormeceu, com as mãos segurando seu cabelo delicadamente.
Bella permaneceu ali por alguns minutos, não poderia o pegar no colo e, sem ter que dizer uma única palavra, Edward se levantou, pegando o menino no colo e o levando até seu quarto. Bella se encaminhou até o telefone, precisava ligar para Rose dar satisfações. Há essas horas eles estariam preocupados.
Rose – Você está onde? – perguntou a loira com espanto após Bella dizer sua localização – O que ta fazendo aí, Bella?
Bella – Eu já te expliquei Rose.
Rose – Mas é que não entra na minha cabeça... Vocês conversaram se resolveram? – Bella soltou uma risada irônica, ainda ouvindo as palavras sujas de Edward martelarem sua cabeça.
Bella – Rose, obrigada pela hospitalidade, por me receber em sua casa! Amanhã, depois que o Gabriel for para escola, vou ver o que vou fazer, acho que não me sinto mais bem nessa casa. – Rose assentiu e ambas se despediram, desligando o telefone.
Bella se sentou no sofá, levando as mãos à cabeça, sentiu o perfume e a presença masculina atrás de si. Não se virou, pois sabia o que encontraria mais uma vez. E encontrou, na voz ainda mais gélida e sem emoção.
Ed – É um menino ou uma menina? – Bella negou, balançando a cabeça como se não pudesse acreditar no que ouvia e se levantou, o fitando nos olhos novamente. Será que precisava dizer alguma coisa?
Bella – É uma menina. – Edward assentiu, levantando as sobrancelhas.
“Bella – O que quer de presente de aniversário? Estou quebrando a cabeça, mas não sei o que lhe dar.
Ed – Me dê mais um filho!"
Como se Bella tivesse tido o mesmo pensamento, se afastou, começando a subir as escadas.
Ed – Eu ainda não terminei Isabella. – se virou a fuzilando com um olhar, uma tapa na cara seria muito menos doloroso. Ela se virou do alto da escada.
Bella – Não, não vai nem começar, Edward... – negou com a cabeça.
Ed – Não, Isabella, vai terminar a hora que eu disser que terminou. – Bella abaixou os olhos, sorrindo ironicamente.
Bella – Eu deveria saber que isso aconteceria.
Ed – É você deveria! De acordo com as minhas contas, é para agosto?! – Bella assentiu, com o maxilar cerrado – Marcaremos um médico para essa semana, você passou muito mal hoje e na gravidez do Gabriel isso não aconteceu.
Bella – Edwa...
Ed – Essa semana, Isabella. – repetiu, com um tom que não aceitava recusa.
Bella – O que pensa que está fazendo?
Ed – Não te dando escolhas. Aliás, eu vou te dar uma escolha... – sua voz era cínica e seus olhos queimavam – Quer ir embora? Vá! Mas não volta mais. O que fica aqui fica comigo. O meu filho fica comigo. – Bella arregalou os olhos, descendo a escada com fúria.
Bella – Você não seria capaz...
Ed – Se atreva! – dito isso, a deixou sozinha, subindo as escadas – Nelita já trocou os lençóis do nosso quarto, eu vou dormir no quarto de hóspedes. – Bella se virou a tempo de ver a silhueta de Edward desaparecer.
Ela respirou uma, e duas vezes, tentando se acalmar. Que diabos estava acontecendo? Sentou-se no sofá, ciente de que não conseguiria dormir naquele quarto, naquela cama. Fechou os olhos mais uma vez, alisando a barriga, precisa pedir para que Ângela e Ben enviassem seu enxoval. Sorria com a delicadeza e carinho dos amigos de longa data. Havia ficado os dois primeiros meses lá e logo depois havia alugado uma pequena casa, lá pertinho de onde havia crescido.
Bella encolheu os pés no sofá, encostando a cabeça no respaldo do mesmo, o cansaço da gravidez e do dia turbulento caiu sobre sua cabeça. Ela apertou os olhos, impedindo que a voz de Edward continuasse martelando seus pensamentos, e sentiu seu corpo relaxando e logo adormeceu.
Edward sentiu vontade de quebrar aquele maldito quarto inteiro. Seu coração batia depressa e sua cabeça rodava, andava de um lado para o outro pelo quarto, como um leão enjaulado, sua testa franzida denunciava o nervosismo, assim como a força que ele mordia os lábios, a fim de controlar seus sentimentos.
Não. Não! Era inacreditável que isso estivesse acontecendo. Era inacreditável que ele estivesse tomando essas atitudes. Negou com a cabeça, se sentando na cama, havia tantas coisas para perguntar, mas o único que fazia era permanecer olhando aqueles olhos tão hipnotizados. Saiu do quarto, caminharia lá fora, precisava de ar, de liberdade.
Ele desceu as escadas de roupão, passando pela sala virou-se, olhando no sofá. Maldita seja! Ela permanecia ali, sentada, tão vulnerável que ele sentiu vontade de gritar e acordá-la. Não estava confortável e também não poderia acordá-la.
Edward engoliu o nó em sua garganta e se aproximou, a pegou no colo sem dificuldade nenhuma e, para o espanto dele, ela não acordou, apenas se aconchegou nos braços dele, deitando sua cabeça no vão entre seu pescoço e seu ombro, sentindo a colônia tão masculina e enlouquecedora. Sua mão subiu para se apoiar no peito de Edward, que rezou secretamente por controle. Tocar aquela mulher era a pura perdição.
Chegando ao quarto, a depositou na cama com cuidado, lhe tirou a blusa pesada, percebendo só uma fina camiseta branca por baixa. Sentiu ganas de tocar o ventre no qual ela carregava sua menina, franziu a testa a cobrindo e se afastou como se qualquer coisa vinda daquela mulher pudesse o queimar.
Ele saiu do quarto, caminhando até o seu com pressa, botou sua sunga boxer e em um único pulo caiu na piscina, nadando até que seus músculos pedissem por socorro. Percebeu que, mais uma vez, amanhecia. Quando terminou de tomar um banho, se vestiu com um terno escuro, uma camisa azul escura, terminou de dar o nó na gravata e pentear os cabelos e passou levemente seu perfume. Já pronto, pegou sua pasta, caminhando para o quarto de Gabriel, que estava, para sua surpresa, no meio das pernas de Bella, que lhe penteava os cabelos, e ele gargalhava das gracinhas da mãe.
Bella – Hey, não vi estes dentes serem escovados, já para o banheiro, seu sapeca! – Gabriel sorriu, correndo até o banheiro enquanto Bella guardava as coisas e fazia a cama.
Ela sentia algo errado. Virou-se na mesma hora, vendo Edward de braços cruzados, apoiado na porta. Não disse nada, só engoliu a saliva, continuando a fazer o que fazia. Gabriel voltou correndo do banheiro, já indo de encontro a Edward, que o abraçou com um maravilhoso “bom dia”.
Ed – É melhor tomar café, se ficar atrasado eu não vou apreciar. – Gabriel assentiu, com um abraço em Bella, desceu as escadas mais uma vez correndo.
Bella – Sem correr, filho. – Bella caminhou até o banheiro, colocando a escova de dente na mochila e com tudo arrumado, desceu. Vestia uma calça de moletom branca e uma bata preta, que mostrava gentilmente suas formas de uma mulher grávida, o cabelo estava solto e cacheado naturalmente, e nos olhos uma maquiagem fraca e natural.
Edward desceu logo em seguida e Nelita serviu o café, sentando se para dar atenção especial à Bella.
Nelita – Está de quantos meses? – Bella sorriu, mordendo uma torrada.
Bella – Sete. É para o começo de agosto, Nelita, e é uma menina... E me dá um trabalhão antes de nascer. Tudo incomoda, tenho que dormir com três travesseiros e comer tudo lentamente, senão, já era! Os enjôos são constantes, coisa que não aconteceu com o Gabriel.
Nelita – Cada gravidez é diferente, e quanto aos enjôos, farei comidas leves. Escute. Bella é... Você vai permanecer morando aqui com a gente? – sorriu animada esperando a resposta.
Ed – E por que não, Nelita? – sentou-se na mesa – É claro que Isabella vai permanecer aqui. – Gabriel soltou um gritinho de animação enquanto assistia o desenho, bebendo um copo de vitamina.
Bella – Na realidade...
Ed – Conversamos sobe isso ontem, não foi querida? – Bella se virou, o olhando com desprezo e voltou à atenção para Nelita.
Ed – Ela ficará aqui até a nossa filha nascer, depois decidimos o que fazer, não é Isabella? – Bella olhou para trás, olhando os olhos brilhantes de Gabriel a observarem, e Nelita também sorria graciosa.
Bella – É, Nelita, é sim. - engoliu o último pedaço de torrada, se levantando – Bom, tenho algumas coisas para resolver...
Ed – Não, não tem não! Na hora do almoço vamos ao médico, havíamos combinado Isabella. – Nelita sorriu se levantando da mesa, e o sorriso de Edward desapareceu e seus olhos se endureceram. – às 13h30min, naquela mesma clinica.
Bella – Isso não é um jogo, Edward, e não vou começar tudo de novo. Não vou começar a jogar o seu jogo novamente, não vou passar mais cinco anos da minha vida brincando de casinha, é bom que saiba disso!
Ed – Não estamos brincando de casinha, Isabella. Espere até que a criança nascer para que eu prove que não estou brincando em relação a você. – Bella se arrepiou, enquanto se levantava da mesa.
Bella – Você está fora de si, Edward.
Ed – Só volte a dizer o meu nome quando você for mulher o suficiente para olhar nos meus olhos. – Agora ele se levantou da mesa e apressou Gabriel, que se despediu da mãe saindo junto com Edward.
Bella voltou a se sentar à mesa, levando as mãos à cabeça.
Nelita – Ele está perdido, Bella, não se entristeça... Está tão fascinado pelo Gabriel ter voltado a sorrir e por você estar grávida que mal consegue pensar no que faz.
Bella – Eu não tenho tanta certeza disso, Lita.
Nelita – Tenha um pouco de paciência. Não tem sido fácil nos últimos tempos nessa casa, fique por você mesma, não por nenhum de nós.
Bella – Eu não pude nem ao menos explicar... – Nelita assentiu e sorriu, voltando a tirar a mesa do café.
A manhã se passou com rapidez. Bella passou uma maquiagem mais forte e colocou um vestido de algodão preto com um pequeno decote em V, que deixava seu corpo maravilhoso com as formas de uma mulher grávida. Sua franja, agora lisa, caia em seus olhos e o restante permanecia em seu leve enrolar natural, calçou uma sandália baixa, toda trabalhada em pedra que brilhavam quando o sol batia, e quando desceu as escadas se deu conta de que seu carro ainda estaria na frente do colégio. Pegou sua bolsa e chamou um táxi, indo em direção a nova Cullen’s, Edward havia mudado e combinado com ela para esperá-lo lá. Sabia como seria entrar naquele império.
Ela desceu do táxi - após pagar e agradecer - e sorriu ao ver o edifício da Venturini logo ao lado. Entrou no edifício, sentindo o frio do ar condicionado e não teve outra: as pessoas a olhavam como se ela tivesse renascido dos mortos. Sentiu-se levemente incomodada. Após se apresentar na recepção, logo se voltou para o elevador e subiu até o andar de Edward, ciente do olhar das demais mulheres presentes no elevador, desceu dando de cara com a leve movimentação. Caminhou até a secretária de Edward, que parecia ter visto um fantasma.
Luana – Senhora Cullen. – Bella assentiu.
Bella – Por favor, Luana, avise ao senhor Cullen que eu estou o esperando?! – Luana assentiu, lançando um olhar para a outra secretária do balcão a sua frente.
Luana – Faz tempo que não a vejo.
Bella – É, faz. – caminhou, se sentando no sofá e logo depois que Luana desligou o telefone, a porta do escritório de Edward não se demorou a abrir. De lá saiu Edward e outro homem, que pareceu curioso, a observando. Bella levantou, permanecendo ali parada.
Jasper – Com todo respeito, Edward, as pessoas não se enganaram quando disseram que sua mulher é estupidamente bela.
Ed – Sim, Jasper. E, que bom que se lembra que é a minha mulher!
Caminharam ambos até Bella. Edward já vestia seu paletó e dava algumas ordens para Jasper, que se apresentou à Bella logo em seguida.
Jasper – Prazer, senhora Cullen, sou Jasper Whitlock. Trabalho aqui agora. - Bella estendeu a mão de forma educada, mas fria.
Bella – Prazer, Jasper, Isabella Marie. – Ele assentiu e, sob a mirada pesada de Edward, logo se despediu. Ambos caminharam até o elevador.
Ed – Cancele meus compromissos pelo resto do dia, Luana, não voltarei mais hoje. – Luana assentiu e ambos tomaram o elevador.
Não se demoraram a chegar a clinica e, sem trocarem uma única palavra, entraram quando a doutora, já conhecida por ambos, chamou pelo nome de Bella.
Dra Denise – Bom, então vejo que vão ser pais novamente. – Bella assentiu sorrindo. - Sete meses, Isabella?
Bella – Isso, sete.
Dra – Tem feito o acompanhamento direitinho pelo que estou vendo aqui... – Analisou a ficha de Bella – Não engordou muito, né?! Só barriga mesmo. – Bella assentiu – Bom, como de praxe, faremos alguns exames, um ultra-som para ver se a meninona está bem... Tudo bem para vocês? – Ambos assentiram.
Ao longo dos exames, tudo ocorreu de forma normal, por Bella conhecer os processos. Com os resultados nas mãos, Denise sorriu satisfeita.
Bella – Está tudo bem? Tenho tido enjôos consecutivos essa semana.
Ed – Ontem ela desmaiou, pode ter algo errado? Nada para no estômago dela, e está comendo pouco. – Bella o mirou, para logo depois mirar a doutora.
Dra. Denise – Olha pelo que vejo aqui, está tudo absolutamente normal; o peso do bebê está de acordo com o ideal para o número de semanas que você está. Quanto à alimentação, podemos dar uma melhorada, posso te receitar uma vitamina, e quanto aos enjôos, também posso te dar algo, mas conhecem o processo, pais... E, quanto ao desmaio, me preocupa um pouco... Aos sete meses pode ser um tanto perigoso, se você cair, ou estiver sozinha quando acontecer. Estava aonde quando desmaiou? – Edward levou as mãos por cima dos olhos. Deveria saber!
Percebendo a hesitação e a distância do casal, Denise completou:
Dra. Denise – Brigas, discussões e emoções fortes não são recomendas ok? Repouse o máximo que puder e, depois que o bebe nascer, vida normal.
Bella – Ok, obrigada! – se levantou, dando um sorriso fraco após pegar a receita.
Dra. Denise – E você, Edward, já o vi mais animado. – brincou a doutora, antes que ambos saíssem da sala, agradecendo mais uma vez.
Caminharam para o carro em silêncio e quando Bella percebeu que ele mantinha as mãos no volante, imóvel, o mirou.
Bella – O que está esperando? – Edward não respondeu. Virou-se, se perdendo naquele olhar uma, e duas vezes.
Ed – Até que o bebê nascer, você fica em casa. Esse é o combinado! – Bella desviou o olhar e assentiu – Olhe para mim, Isabella. – ela o fez, para novamente assentir – E depois, você faz o que bem entender. - Dito isso, ligou o carro, o acelerando e a deixou em casa, para depois partir, sem dizer uma única palavra.
Bella almoçou, para depois se sentar no escritório, precisava comprar algumas coisas. Ligou para a empresa de móveis, pedindo que enviassem alguém para desocupar um quarto. Em 3 horas, havia comprado o quarto da menina. Chegaria ao final da semana, tempo o suficiente para que Bella e Nelita limpassem bem o quarto e mandassem que alguém o pintasse. Não podia esperar até que a criança nascesse para decidir onde morar precisava que sua filha tivesse conforto. Além do mais, depois do 7ª mês, ela poderia vir a qualquer hora.
Bella havia ligado para Angela um pouco antes de ir para a Cullen’s, e esperava que até o final da semana recebesse seu enxoval. Levantou-se, deitando-se um pouco em sua cama, já, já Gabriel chegaria. Sorriu. Como havia sentido saudades de seu filho. Virou-se, colocando um travesseiro no meio das pernas e fechou os olhos, sentindo a brisa e, juntamente com ela, o sol que aquecia o quarto de maneira perfeita, não ouviu e nem sentiu mais nada.
Edward chegou com Gabriel na casa, o silêncio reinava, Nelita havia ido para casa de sua filha mais velha. Com o menino no colo, Edward subiu as escadas. Gabriel contara ao pai que havia dormido pouco, por medo que Bella os deixasse novamente. Deu um banho rápido em Gabriel, sem nem ao menos entrar em seu quarto; sabia que seu interior palpitava para ver um único sinal que ela estava ali. Gabriel perguntou pela mãe, e a necessidade pareceu aumentar ainda mais.
Deixando o filho lá em baixo, jantando confortavelmente, Edward subiu e abriu a porta de seu quarto, notando a total escuridão, mas sabia, no momento em que pisou no quarto, que ela estava ali. Só Bella dormia com a janela aberta sem se preocupar com nada.
”Bella - Gosto de ver as estrelas...”
Ela havia dito certo dia. Cansado e completamente esgotado, Edward se sentou na cama e afrouxou a gravata, tirando o paletó, de costas para Bella, que continuava completamente adormecida. Ele abaixou a cabeça, levando as mãos nos olhos e ela se virou, se deitando de lado. Edward a mirou e mordeu os lábios, franzindo a testa. Sua mão, de forma automática, se dirigia ao rosto sereno de Bella. Ele sentiu os olhos marejarem e seu queixo tremer. Fechou os olhos.
” Ed – Nunca havia sido dessa forma. – Bella assentiu, tirando os cabelos dos olhos dele – Estou esperando...
Bella – O que?
Ed – Meu presente. Agora só estou esperando meu presente... ”
Como se a pele dela pudesse o queimar, Edward se afastou, se levantando. Sentiu vontade de gritar com firmeza, com raiva, com infelicidade. E quando olhou pra cama novamente, um par de olhos chocolate o mirava intensamente.
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