sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma Linda Mulher - 2ª Temp. - Cherry Tree.


O Sábado amanheceu ensolarado. Bella abriu os olhos apenas para se despedir de Gabriel, Nelita, Alice, Marieta e Tom, que no café da manhã haviam combinado de passar a tarde inteira no parque central. Edward havia arrumado uma pequena mochila para Gabriel, entregado os documentos na mão de Nelita, que, animada, havia se vestido de maneira despojada e confortável, como Marieta.

A porta bateu e Bella ouviu os risos e gritinhos de excitação do lado de fora. Seria bom para Marieta que saísse um pouco de casa, a manhã e à tarde no parque eram as melhores coisas que podiam fazer, ainda mais com o sol em intensidade perfeita para um passeio divertido.

Ouviu o fino choro de Linda denunciando que um membro havia ficado em seus cuidados. Um membro não, dois!


Ed – Diga para a preguiçosa da sua mãe que você precisa se alimentar... - Edward beijou a bochecha rosada, e molhada pelas lágrimas, da filha – Não brigue comigo, a culpa é dela! – Bella sentou-se na cama tirando os cabelos do rosto, Edward lhe sorriu – Bom dia, mamãe! – Linda parou de chorar, apenas fazendo um bico, esperando algum gesto negativo para que abrisse novamente o berreiro.
Bella – Bom dia! – coçou os olhos e estendeu as mãos, pegando Linda, que procurou por seu seio, confortavelmente no colo de Bella, se pôs a mamar com toda concentração.
Ed – Eles já saíram, vão almoçar na rua, temos a tarde inteira para nós... – Bella sorriu, assentindo. Estava ainda tão sonolenta – Hey, acorde!
Bella – Estou acordada... – sorriu, alisando as bochechas da filha e lhe enxugando as lágrimas – Chorona. – negou com a cabeça – Igualzinho seu irmão.
Ed – Gabriel estava todo empolgado, saiu de boné e tênis, pronto para jogar futebol com o Tomas, segundo ele. – Bella voltou a sorrir.
Bella – Alice não se cansará?
Ed – Imagina! Tirando pela animação de Marieta e Nelita, ela está bem amparada. –Bella assentiu e tirou, mais uma vez, a franja dos olhos. Mirou o relógio vendo que já se passavam das nove.
Bella – Querida, você precisa deixar com que eu durma. – Edward sorriu se levantando só de roupão, como costumava ficar todas as manhãs, e se encaminhou para o banheiro, ligando a torneira e deixando com que a banheira se enchesse de água deliciosamente morna – Cinco horas seguidas, pelo amor de Deus!
Ed – Nada disso... Sem dormir. Para que dormir, Bella? Quanta coisa se perde dormindo? – voltou para o quarto, sentando-se na beirada da cama – Ok, tudo bem! Não venho te dando trégua?
Bella – Está brincando? Você, Linda e Gabriel. Quem toma mais a energia da mamãe?
Ed – Oh, coitada dela filha! – mirou Linda, que parou de mamar prestando atenção na voz de Edward – Então, faremos uma greve até que você se sinta digamos... Mais disposta. – Bella fez uma careta, fingindo rir e Edward voltou ao banheiro, fechando a torneira e jogou alguns sais de banho, deixando com que o vapor aromatizado subisse e embaçasse os vidros do banheiro.
Bella – Tá engraçadinho essa manhã, hein, Edward?! Mas se quiser greve... – ergueu a sobrancelha – Por mim, tudo bem! Não dou 24 horas e você estará aqui... – apontou para a palma de sua mão – Pedindo abrigo.
Ed – Ah, é? – fez uma cara de debochado – Combinado! E quem perder, fará... – Bella fingiu pensar.
Bella – Hunm... Pensarei em algo quando você perder. – Edward gargalhou ainda mais debochado.
Ed – Você vai implorar!
Bella – Pode apostar que não, Baby! – Edward observou Linda.


Bella a erguia contra os seios delicadamente, a acariciando nas costas, balançando o corpo em ritmo lento. Levantou-se.


Ed – Pode deixar que eu vou, vai tomar um banho...
Bella – Hum... Táticas de jogo? Paparicar o adversário?
Ed – Não, coisa de marido bobo e, às vezes, romântico. – Bella sorriu e lhe entregou Linda, caminhando para o banheiro.

Edward deitou a pequena no trocador e, com toda a facilidade de um pai de 2° viagem, a trocou com rapidez sem ouvir os choros e resmungos. Trocada e alimentada, brincou com a pequena mais alguns minutos e, cansada pela manhã agitada, do colo da tia para o colo de Marieta para depois brincar com Gabriel, Linda adormeceu.

Edward a colocou no berço, a cobrindo com a fina manta branca e deixou a porta aberta, caminho para seu quarto. Entrou no banheiro abafado e quente e tirou o roupão deixando aparecer à cueca branca confortável que usava para dormir. E lá estava ela. Como uma deusa deitada somente com a cabeça apoiada na borda da banheira, com os olhos fechados e o cabelo molhado recolhido em um coque superficial.


Bella – Dormiu?
Ed – Sim, 20 minutos, estava cansada... – Bella assentiu.
Bella – Não vejo a hora que ela durma pelo menos 5 horas seguidas. – abriu os olhos, o mirando completamente nu preste a entrar na banheira – É golpe baixo, Edward... – mordeu os lábios, analisando aquele corpo de cima a baixo – É golpe bem, bem baixo! – suspirou, se ajeitando na banheira de modo que Edward, de frente para ela, se encostasse à outra ponta. Ele sorriu lhe massageando os pés debaixo da espuma – Que delícia!
Ed – Qual dos dois? – ela abriu os olhos, soltando outro riso irônico, sentindo as mãos dele em seus pés subirem até suas canelas. E subirem, e subirem...
Bella – Está entregando os pontos? – mordeu os lábios, sentindo seus pelos se arrepiarem imersos a água quente.
Ed – Quem? Eu? Imagina! Só estou fazendo uma massagem... É demais para você?
Bella – Não, tudo sob controle! – respirou fundo.
Ele sorriu; sabia que não estava tudo sob controle.
Ed – O engraçado... – se levantou a puxando pelos braços e voltou a se sentar com ela sobre suas pernas, de frente para ele, com um joelho de cada lado – É que, quando respira com os lábios abertos e olhos tão apertados, dessa forma, é quando...
Bella – Não vai conseguir. – Edward lhe beijou o colo, o pescoço e depois logo as bochechas, deslizando suas mãos pela coxa macia e escorregadia, devido aos sais e a espuma – Droga! – voltou a suspirar, levando as mãos até os cabelos de Edward e sorriu quando ele começou a lhe beijar novamente o pescoço. Abriu os olhos, descendo suas mãos até as coxas de Edward. E mais para dentro, e mais...
Ed – Bella...
Bella – Que foi? – sua voz era ironicamente inocente – É demais para você? – Ele apertou os olhos e, em sinal de excitação, como sempre fazia, apertou seus dedos na cintura de Bella a trazendo para mais junto de seu corpo.


Bella passou os dedos pelos cabelos dele, os tirando dos olhos. Edward fez o mesmo com ela, percorrendo a mão de sua nuca até onde as costas começavam a mudar de nome. Ela arqueou a coluna, se retraindo, colando seus corpos ainda mais. A água parecia começar esquentar, os vidros pareciam ainda mais embaçados. Ela segurou na borda da banheira, inclinando sua cabeça para trás, sentindo a língua quente de Edward percorrer seu pescoço, o vale de seus seios...

Bella – Estou em desvantagem... – sussurrou, o puxando pelos cabelos.
Ed – Sem beijo na boca...
Bella – Impondo regras? – voltou a sussurrar, deslizando suas mãos abertas por toda extremidade deslizante das costas de Edward.
Ed – Estou confiante. – mordeu-lhe os lábios, subindo as mãos até as costelas dela, logo abaixo de seus seios.


Bella se calou na busca desesperada por controle. Seu corpo palpitava, as caricias se tornavam cada vez mais intimas e o jogo da arte de provocar elevava os graus em sua corrente sanguínea a um calor absolutamente...


Ed – Fora de controle! Fraca... – provocou, lhe mordendo o nódulo da orelha, aproximando suas intimidades e um leve esfregar de corpos – Fraca. – voltou a sussurrar, se deliciando com as sensações tão visíveis que o simples fato de acariciá-la podia gerar.

Então, surpreendentemente, ela virou jogo. O olhou nos olhos daquela maneira única e maliciosa, molhando seus lábios com a própria língua, descendo do pescoço abaixo as unhas na pele sensível de Edward, gerando marcas avermelhadas. Ele negou com a cabeça, fechando os olhos. Estava a um fio de lhe devorar os lábios carnudos e entreabertos, prontos para receberem os seus.

Bella – Se me beijar, eu ganhei. – o provocou mais uma vez com a língua, correndo a mão pelo interior das coxas de Edward. Céus! Tão perto de sua masculinidade. Edward não disse uma palavra, engoliu o ar com seu corpo e mente não pensando em nada mais do que devorar seus lábios, a devorar inteira.
Ed – Dane-se! – jogou tudo para o alto, a pegando com intensidade pela nuca e lhe grudando os lábios com frenética sintonia e agilidade, se posicionando rapidamente para unir seu corpo ao dela em um movimento único e profundo. Calou seus gemidos, sufocou seus medos, mas por outro lado... Por outro lado intensificou seus desejos.


Quando separaram seus lábios, em busca desesperada por ar, Bella mordeu-lhe os ombros, o sentindo tão junto a si que poderia jurar que eram ambos um só corpo.

Ed – Meu castigo? – mordeu os próprios lábios, a puxando com sensualidade pelos cabelos.
Bella – Eu comando. – sussurrou, mergulhando as mãos nos cabelos molhados.

A água, coberta por espumas, formava pequenas ondas. A respiração ofegante e extremamente pausada gerava gemidos, gemidos que eram calados por beijos, que geravam calor, movimentos e, enfim, aquele prazer que parecia estar tão perto.

Bella – Olhe para mim... – pediu daquela forma tão familiar e séria que ele fazia quando faziam amor – E me diga o que você vê. – Edward negou com a cabeça, deixando pequenas marcas vermelhas na coxa e cintura de Bella, onde seus dedos pressionavam com tanta força na busca pela posse de controle.
Ed – Está me matando, Isabella... – ela o beijou, calando um gemido que seria certamente alto.
Bella – Diga o que você vê. – pediu novamente. Ele a olhou nos olhos, a segurando com mais força contra seu corpo.
Ed - E...
Bella – Não, eu digo. – fechou os olhos com força, o final estava tão próximo – É o mais puro amor... E o mais excitante dos desejos. Compreende? - ele não respondeu, chamou por seu nome duas vezes antes que tudo desaparecesse em uma escuridão, coberta por pontos brilhantes, que enviavam espasmos violentos da mais pura e emocionante satisfação.


Permaneceram naquela mesma posição por vários minutos, seguidos de vários segundos, que se tornavam novamente em vários minutos. Ele lhe acariciou as costas, lhe tirando os cabelos dos olhos e, em um movimento simples e ágil, separou seus corpos, acomodando Bella agora de costas para si, com a cabeça encostada em seu peito nu e com marcas avermelhadas.

Silêncio, que logo foi quebrado pela pergunta que, às vezes, fazia com que Bella sentisse vontade de chorar.

Ed – Está tudo bem? – sorriu, apertando os olhos. Apenas assentiu lhe abraçando como pode.
Bella – Você perdeu... – sorriu, brincando com a espuma.
Ed – Sim, eu perdi. – admitiu com uma careta, jogando com os dedos o cabelo para trás.
Bella – Preciso pensar em um castigo.
Ed – Nada feito! Já me castigou o suficiente. – Bella gargalhou.
Bella – Você fala daquilo? Imagina querido, estava só te fazendo cócegas! – Edward negou com a cabeça, sorrindo divertido pela gargalhada gostosa que ela soltava. - Hummm, deixe me ver...
Ed – Não inventa Bella. – mordeu seus lábios, voltando a abrir os olhos.
Bella – Eu quero que você... – ergueu a sobrancelha – Me leve para jantar, na sexta.
Ed – Está brincando, isso é castigo? – debochou.
Bella – Mas quero um jantar preparado por você. – Edward franziu a testa.
Ed – Ok! Tenho noções básicas de cozinha... – Bella gargalhou em ironia.
Bella – Vou pagar para ver. – se virou, ficando de frente para ele.
Ed – Ok! Pensei que seria pior...
Bella – Na realidade, o pior ainda não chegou... – sorriu, mordendo os lábios com um olhar travesso.
Ed – O que ta querendo dizer?
Bella – Nada. Jantar preparado por você, na sexta. – piscou.
Ed – Combinado!
Bella – Um beijo para selar o acordo? – Edward sorriu, tendo em seus braços uma perfeita adolescente. Se bem que, o que haviam feito há poucos minutos atrás, não era nada, nada ingênuo, nem muito menos adolescente. – Linda acordou... – se levantou da banheira, alcançando seu roupão.
Ed – Acho que não. O quarto está silencioso, as portas estão abertas, escutaríamos se ela tivesse acordado.
Bella – Pressentimento de mãe. – se enxugou por cima, colocando o roupão e caminhando descalça até o quarto da filha. Observou Linda acordada, observando o pequeno móbile de anjos sobre si. Mexia as perninhas e os braços animada, sem soltar nenhum piu.

Bella a tocou, chamando por seu nome e rapidamente a garotinha achou a voz de sua mãe, mexendo os bracinhos e deixando as pernas de Bella quase tremulas de amor.


Edward saiu da banheira completamente nu, afastou os cabelos, os jogando para trás com os dedos e pegou a toalha, amarrando em volta da cintura e com a outra enxugava o rosto. Pelo som da voz de Bella, Linda realmente havia acordado. Entrou no closet a procura de uma cueca, a vestindo e avistou um envelope branco em cima da penteadeira de Bella, debaixo de alguns documentos e celular.

Edward franziu a testa, observando a porta.

Ed – Bella?
Bella – Estou aqui com a Linda... – falou em bom tom para que o marido ouvisse.

Edward não respondeu se dirigiu até a penteadeira, pegando o envelope que continha o nome e dados de Bella, era da Clínica. Mordeu os lábios, sentindo um nó no estomago.
Ela não lhe deu liberdade para isso, Edward. Mas se rompeu em cóleras por alguns instantes antes de abrir o envelope, pulando para a conclusão final.

Bella – O que está fazendo? - ele se virou na mesma hora, a olhando nos olhos, com o envelope na mão caída ao lado de seu corpo. Ela o observou, com Linda nos braços, e observou o envelope em sua mão. Edward ficou mudo por alguns instantes.
Ed – Sou seu marido, Bella... – ela assentiu apreensiva e sentou-se na cama, aconchegando Linda contra seus seios – Quando pegou isso?
Bella – Chegou ontem cedo. – seu tom agora era baixo, e nada animado – Iria falar com você hoje, Edward...
Ed – Eu não acho que iria. – sentou-se ao lado dela, com a mirada firme sobre seus olhos.
Bella – Precisava de um tempo para assimilar, ok? Só isso! Alguns dias e eu... – se emocionou, abraçando Linda, lhe beijando a testa – Eu sinto muito, Edward. Dois vai ter que bastar para nós dois. – mordeu os próprios lábios, mirando o teto; seus olhos lacrimejavam com grande intensidade.
Ed – Dois é o suficiente para nós... – sorriu a ela, lhe alisando o rosto com as costas da mão – Tudo que temos é suficiente para nós, pelo resto da vida, ok?! – Ela assentiu, se encostando sobre o peito de Edward, que lhe alisou os cabelos delicadamente – Estou aqui, eu estou aqui! – ela concordou emocionada. Edward deixou cair o envelope no chão, acariciando a cabeça de Linda delicadamente – Você já me deu tudo o que eu poderia sonhar em ter. – sorriu a fazendo encara-lo – Ok? Durma todas as noites pensando nisso!
Um momento que Bella guardaria pelo resto da vida.

As janelas se balançaram e a cortina esvoaçou para o lado de fora. Linda arregalou os olhos, observando o rosto de Edward, que lhe sorriu amavelmente. Que seja o que o destino reservar! Aquela vitória em sua frente, seu filho tão amado, valia por qualquer outra coisa que podia querer sonhar ou almejar na vida.


De repente, foi tomado por um sentimento estranho, a vontade de largar tudo e todos, pegar sua família e se mudarem para longe desse mundo; vontade de proteger a Bella, proteger Gabriel e Linda das perversidades caóticas do mundo; de não deixar com que seus filhos crescessem, sabendo que, um dia, acabariam sendo devorados pelo mundo. Negou com a cabeça, olhando para o reflexo dos três no espelho.

Por trás de um grande homem, sempre se esconde uma grande mulher. E Bella era aquela grande mulher. Que estaria sempre ali, olhando por ele e por seus filhos, sabia que ela jamais escorregaria, que ela se manteria firme ali, por eles e por nenhum outro motivo.





Agosto veio e chegou frio, mas o amor mantinha tudo aquecido.

Os casacos quentes, todas as manhãs, eram tirados dos armários. Acordar Gabriel era uma tortura, a ele e aos próprios pais, Bella sorria ao colocá-lo no banho quente todas as manhãs, ouvindo os resmungos e sussurros exatamente como Edward fazia.

Linda, finalmente, dormia 5 horas seguidas, acordando apenas quando precisava ser trocada. Os cabelos castanhos claros começavam a adquirir um gracioso cumprimento, os olhos, na mesma cor do que os de Bella deliravam em gargalhadas e risos divertidos.

A casa sempre aquecida e clara, o relógio sempre girando e a vida continuando, eram assim os doces dias de agosto, que logo abandonaram o ano, chegando os dias de Setembro.

E foi nesse mesmo mês, logo no começo, que uma flor parecia querer abandonar o seu jardim. Uma flor que vivera intensamente os últimos meses, uma flor tão sincera e amável, tão macia e adorável, que havia descoberto tantos sentidos para a vida ao lado de pessoas jovens que iniciavam sua jornada.


Ed – Como ela está? – O Doutor o olhou nos olhos e logo depois mirou uma Alice apreensiva e nervosa ao seu lado.
Dr. Júlio – Chegamos a uma etapa que preciso ser sincero... – Alice assentiu, apertando fortemente as mãos de Edward – Estamos fazendo tudo o que podemos Edward, mas os medicamentos já não estão causando efeitos. – Alice franziu a testa, baixando a cabeça e levou as mãos sobre os olhos, não notando o medo e o estremecimento de Edward – A decisão é de vocês, mas acho que devemos parar com as drogas.
Ed – Ela havia melhorado, eu sei que havia... – negou com a cabeça – Estávamos bem semana passada, foi meu aniversário de casamento e saímos, e... Ela estava bem semana passada. - mordeu seus próprios lábios.
Dr. Júlio – Não tiro suas palavras, Edward, os últimos meses têm sido, sem dúvida, os mais confortáveis para Marieta, sabemos disso. Mas chega um ponto que o corpo satura, por mais que a mente trabalhe tanto para vencer... De que adianta lhe darmos 2 dias e lhe roubarmos 5? As drogas não estavam mais causando efeito, a não ser os devassos efeitos colaterais.
Alice – Não podem fazer isso... – negou com a cabeça, com os olhos aflitos – Não podem fazer isso, Edward!
Dr. Júlio – Não, não podemos. Mas temos conselhos a dar aos familiares de nosso paciente, Marieta não vai sair daqui semana que vem, nem no mês que vem e nem no outro... Escute-me Alice. Não podemos a manter medicada e sem dores em casa, e eu não posso a liberar no estado delicado em que se encontra. – Alice voltou a baixar a cabeça, pedindo secretamente por socorro – Em 35 anos nessa minha profissão, nunca vi uma pessoa lutar tanto pela vida como Marieta luta nesses últimos meses. Prefiro que guardem isso com vocês... Do que a ver se arrastando por mais 1, ou no máximo 3 meses.
Ed – Meu Deus do Céu! – Alice soluçou começando a chorar. Edward fechou os olhos, assimilando a noticia que acabara de receber.
Dr. Júlio – Eu entendo como se sentem. Mas entendo que eu não estaria sendo ético e honrado em exercer a minha profissão se não abrisse o jogo e dissesse a verdade a vocês.
Ed – Eu compreendo.
Dr. Júlio – Eu sei que compreende. Bom... A manteremos aqui, faremos mais alguns exames e a manteremos confortável. No final da semana, dependendo dos resultados, voltamos a conversar sobre isso, ok?! – Edward assentiu, alisando os cabelos de sua irmã. O médico pediu licença, recebendo a uma chamada importante. Alice o mirou com os olhos vermelho e inconsoláveis.
Alice – Resumindo...
Ed – Temos que fazer o certo, meu amor. – sorriu tristemente – Falaremos com Marieta.
Alice – Sabe o que ela vai dizer Edward... Pelo amor de Deus! – implorou, o abraçando como pode.
Ed – Não somos mais garotos, Alice. – sua voz era firme, precisava passar essa força a ela – Não somos mais garotos... – repetiu e, como se entendesse, ela procurou se acalmar – Mamãe se foi porque precisava ir. E Marieta vai quando também precisar. – Alice soluçou, enxugando as lágrimas – As pessoas se vão, Ali... – mordeu seus próprios lábios – As pessoas se vão.




Três semanas depois, Edward cruzava o corredor branco e silencioso com o coração na mão. Naquele instante, o hospital parecia tão frio e triste, a pouco havia feito com que Alice fosse para a casa, estava esgotada. Além do mais, Thomas precisava de sua presença. Ele havia ligado para Bella lhe dizendo que não voltaria para casa. Compreensiva, ela havia dito que tudo bem, que iria cuidar das coisas e das crianças.

Isso, Edward, pense nos seus filhos!

Era tudo o que ele precisava para recompor suas forças e entrar naquele quarto, já tão familiar, e encontrar, deitada sobre a cama, tão adormecida, fraca e indefesa, a mulher que havia lhe criado, lhe dito o caminho certo a seguir quando sua mãe já não pode.

Era impossível não se emocionar, era completamente impossível não se comover com aquela pele tão pálida e gasta pelos anos e por aquela maldita doença.
Céus! Precisava desesperadamente achar alguém para culpar, para que essa dor de saber que nada que fizesse adiantaria lhe aliviasse o peso nas costas, por um instante, apenas alguns minutos.

Marieta – Posso imaginar no que está pensando, meu filho... - a voz soou baixa, quase como num sussurro – Sente-se aqui. – alisou a cama ao seu lado com a mão onde pendia a agulha com diversos medicamentos contra dor, administrados em suas veias.

Edward franziu a testa e caminhou até o lado dela, abaixou a cabeça, pensando em uma forma de dizer aquela mulher que...

Marieta – Escute-me, querido. – Edward a mirou nos olhos de um azul profundo, brilhantes pelas lágrimas – Agora não é tempo de lamentarmos. – deu um sorriso fraco, cobrindo a mão de Edward com a sua.
Ed – Falei com os médicos, tia... – conseguiu, por fim, dizer, acariciando o rosto branco.
Marieta – Por favor, diga-me que deixaram com que eu saísse daqui.
Ed – Não podemos fazer isso, tia, não podem medica-la em casa. - Marieta negou com a cabeça.
Marieta – Quero ir para a minha casa, Edward, para a minha cama quente onde dormi com seu tio durante tanto tempo... – as lágrimas deslizaram por livre e espontânea vontade, e Edward sentiu vontade de esmurrar tudo e qualquer coisa a sua volta. Deus era justo? – Quero ir para o conforto do meu lar... Onde criei vocês. Deus, eu estou tão orgulhosa pelo que se transformaram! – acariciou o rosto de Edward, que mudo e com os olhos brilhando em lágrimas a mirava com intensidade – Escute-me, criança. – tossiu levemente, fechando os olhos – Esse é o meu último pedido.
Ed – Tia, não me faça isso. Pelo amor de Deus!
Marieta – Meu último pedido a você. – sua voz soou mais forte e decidida – Eu não estou com medo, por isso, trate de não estar também! – Edward segurou as lágrimas, sentindo a voz autoritária de sua tia ganhar a força que ele precisava – Então, trate de para de me olhar como se fosse a última vez que vamos nos ver, porque isso não é verdade. – negou com a cabeça, tossindo uma vez mais – Em algum lugar desse mundo, Deus há de me levar...
Ed – Vamos tentar outras coisas, com outros médicos. Podemos ir para fora do país, podemos...
Marieta – Largue disso. Você e Alice, pelo amor de Deus! – derrubou outro par de lágrimas, sem alterar sua voz – Deixe-me viver em paz, na minha casa, na nossa casa... – fechou os olhos, suspirando – Sabe, eu nunca tive filhos... – Edward assentiu – E Deus sabe que não foi porque eu não quis. Eu não podia tê-los. – Edward desviou o olhar do dela, mirando a escuridão da noite, pensando em sua mulher que também não podia mais tê-los – Eu não fui menos feliz, ou menos abençoada por isso... Sua mãe me deixou uma missão quando partiu, minha missão era ficar aqui e cuidar de vocês até quando fossem grandes, de coração e alma, para cuidarem de si próprios. E... – Edward se assustou com outra crise de tosse, pegando um copo de água, que Marieta bebeu pausadamente – E isso aconteceu...
Ed – Tia...
Marieta – E eu sou tão grata por Esme ter me deixando vocês dois quando não podia mais estar aqui. Minha irmã sempre foi tão viva. – sorriu, e Edward não evitou chorar – Não que seu pai não o amasse, Edward, ele amava você. Amava vocês dois mais do que amava Esme, ou qualquer outra coisa no mundo, mas ela... – franziu a sobrancelha, levando a mão ao coração.
Marieta – Esme era a minha luz, minha amada... Minha companheira. E quando me vi sem marido, sem irmã, só com duas pessoas que cresceriam mais rápido do que eu imaginava me vi como uma mãe. Mãe de primeira viagem. E olha só o meu precioso trabalho... – Edward a mirou, com os olhos vermelhos e os lábios trêmulos – Não pelo dinheiro, Edward, de forma nenhuma. – negou veemente com o orgulho puro nos olhos – Mas sim por você, por Alice, que é tão forte... E Deus há de ajudar aquela sonhadora criar aquele garoto lindo. Ele há de ajudar a você e aquela linda mulher criarem Gabriel e Linda, que são a razão desse seu olhar iluminado e tão passional. Edward, eu... – mordeu os lábios, não suportando a emoção – Estou cansada, querido. E sabe? Já escuto as pessoas que eu tanto amo chamarem por mim. Na realidade, – sorriu e derrubou outro par de lágrimas junto com Edward – acho que já estou preparada para o paraíso! – Edward negou com a cabeça.
Ed – E como nós ficamos aqui, tia? – bateu o pé em busca de controle – Alice não pode nem pensar em te perder.
Marieta – Tolos! Quem disse que vão perder-me? Se aproxime. – Edward o fez, voltando a se sentar na cama – Jamais, jamais deixaríamos que ficassem sozinhos aqui... Nem sua mãe, nem seu pai e muito menos eu. Você pode não ver, mas sei que sente Esme como eu a sinto. – voltou a bater levemente sobre o coração – E eu mal posso ver a hora de vê-la novamente. – Edward não se controlou, abraçou aquele corpo fraco, e tão forte de alma, com sofreguidão, se apegando àquele abraço como se fosse o último que restasse para viver.
Ed – Eu te agradeço tia. Por cada olhar, cada toque. – voltou à mirada para Marieta – Você é meu anjo! – sorriu emocionado, lhe alisando a face que lhe sorria tão ternamente – Meu anjo e de Alice, e todos os dias... Todos os dias vamos nos lembrar disso. Os filhos de Ali, os meus filhos... Mas não agora, tia, eu não estou preparado.
Marieta – Você nasceu preparado, meu pequeno astro! – sua voz foi alta o suficiente para que Edward ouvisse – Agora, eu estou com sono, me acorde pela manhã, assim que o sol nascer. – Edward assentiu – Guarde uma parte com você, Edward... Do sol, quando amanhecer novamente. – franziu a testa, se emocionando – Guarde uma parte dele... E, quando pensar em desistir, deixe que esse maravilhoso calor te aqueça! - Edward não teve tempo de responder, Marieta fechou os olhos, adormecendo.


Ele permaneceu ali, lhe alisando a face, pensando nas diversas coisas que ele falaria quando, logo pela manhã, o sol aparecesse.



Mas o sol não apareceu, e Marieta também não despertou. E o segundo dia de setembro amanheceu com Edward sentado na beirada daquela cama, com o olhar perdido e os lábios fortemente presos entre os dentes.

Abaixou a cabeça, franzindo a testa de maneira tão sentida, que lhe doeu na alma de forma tão intensa, que um grito rouco escapou de sua garganta. Ele levou a mão já não mais quente até seus lábios, distribuindo pequenos beijos, mergulhando em lágrimas tão profundas que a dor da perda poderia causar.



A flor mais preciosa dos Cullen’s havia se fechado para sempre.

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