sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma Linda Mulher - 2ª Temp. - My Reason.


O horror assombrou seus olhos e se separou dela com rapidez, desapertando seus braços. Bella permanecia de olhos fechados, com a testa franzida, e ele a pegou pelos braços, com as mãos trêmulas.

Ed – Santo Deus! Bella, abra os olhos e olhe para mim...

Como poderia ter sido tão desumano? Por Deus! Como poderia ter feito aquilo, daquela maneira? Ela não abriu os olhos e ele sentiu o pânico gelar seu sangue antes tão quente.

Ed – Bella? – gritou, fazendo com que ela abrisse os olhos mareados e vermelhos pelo choro contido – Está tudo bem? – levou as mãos ao ventre arredondando – Eu te machuquei? Machuquei o bebê? Responda-me! – a sacudiu de leve.
Bella abaixou a cabeça, mordendo os lábios na tentativa de que não ficassem trêmulos. Ela poderia sair daquela maldita piscina e erguer a cabeça? Seria capaz depois de tal humilhação? Observou sua calcinha boiando na água. Apertou os olhos com força, sentindo as mãos de Edward em seu ventre, ele estava apavorado e ela estava a ponto que pedir para que a levassem daquele lugar.

Edward levou as mãos à cabeça ao observar aqueles olhos opacos e vermelhos, e se afastou com pressa, murmurando uma maldição e batendo com as mãos na água.

Ed – QUE DROGA! – voltou a gritar, uma e duas vezes, tirando os cabelos dos olhos – MAIS QUE MERDA, ISABELLA, EU NÃO... EU NÃO... – a mirou com a testa franzida enquanto Bella, assustada, permanecia no mesmo lugar onde ele havia a deixado – Olhe para mim. – se aproximou, a pegando pela face – Está tudo bem? Machuquei você? Eu, eu...
Bella - Está tudo bem, Edward. – mordeu novamente os lábios, encontrando a firmeza nas pernas, abaixou sua camisola e caminhou para as escadas e pegou sua calcinha, abaixando a cabeça não suportando o peso da humilhação, que talvez houvesse sido causada por ela mesmo.
Ed – Eu não queria te machucar... – caminhou atrás dela - Eu perdi... Eu perdi o controle eu... – saiu da piscina atrás de Bella, que caminhava sem olhar para trás – VIRE-SE E OLHE PARA MIM, BELLA. – ela parou pelo tom alto e apavorado que ele gritou tais palavras, se virou o olhando dos pés a cabeça – Não foi para machucar a ti ou o bebê, Bella...
Bella – Eu sei que não foi. - ela murmurou baixinho, pegando a toalha que havia em cima da mesa coberta por um guarda sol e se enrolando - Foi para ferir a mim, não foi? Não ferir fisicamente, mas queria me lembrar, não era? – Edward ergueu ainda mais a cabeça, segurando os lábios trêmulos – “Você é minha”, era isso? Lembrar-me que eu sou sua? – Edward virou-se de costa sem ter o que falar – Olhe para mim agora, Edward, e perceba que eu jamais me esqueceria. – ele tinha certeza que ela se referia à menina. Abaixou a cabeça, sentindo a si próprio enfiar faca por faca em suas costas – Porque quando nada mais da certo, Edward, sempre foi para isso que você correu, sempre foi para isso que eu corri... Porque, quando o descontrole fala por você, você acaba se esquecendo que eu não posso te ouvir. - abaixou a cabeça, tirando o cabelo dos olhos – Esse é o meu erro. Esse é o seu erro. Nosso erro, “baby”. Toda vez que você fechar os olhos eu quero, desejo realmente, que você lembre-se do que aconteceu agora e tire esse peso das suas costas, Edward... – sua voz soou trêmula e baixa pelo choro – Porque não se faz sexo sozinho.
Ed – Sexo?
Bella – O que? Acha que fizemos amor? - negou com a cabeça, deixando as lágrimas escaparem e rolarem – Não, Edward, não foi amor. NÃO, EDWARD, NÃO PODE SER MAIS AMOR. Porque, por mais que você não se atreva a olhar nos meus olhos e dizer que eu estou certa, eu sei que sabe, sei que sente, ou não ficaria tão apavorado com o fato de ter deixado sua raiva contida o fazer se esquecer que eu estava grávida de uma menina, Edward. E É SUA. – levou as mãos à boca, segurando o choro – É minha. Nossa! – Ele finalmente se virou e seus olhos, por piedade, pareciam ainda mais atormentados.
A observou encharcada, tomando a friagem da noite, após um “sexo” alucinante dentro da piscina. Sentiu vontade de pegá-la pelos braços, a beijar com tanto carinho e se abraçar àquele corpo até que aqueles soluços, que soavam como gritos em seu ouvido, cessassem. Sentiu vontade de lhe olhar nos olhos e dizer que a culpa era dele, por não controlar nenhum sentimento relacionado a ela. Sentiu vontade de dizer que sim, que precisava lembrar a ela a quem pertencia.

Ed – Isso não voltará acontecer. – sua voz fria gelou ainda mais o corpo de Bella – Estou viajando para Londres amanhã, volto em algumas semanas. – Pôs-se a caminhar para perto dela.
Bella – Covarde! – murmurou entre os dentes, começando a tremer de frio.
Ed – Londres não seria um bom lugar para fugir, seria Isabella? – seu tom sarcástico a atingiu como uma apunhalada nas costas.
Logo após, ele a pegou no colo com rapidez e, sem tempo para protestos, subiu as escadas após ativar o alarme, deixando-a debaixo do chuveiro quente de seu quarto. Antes que saísse, ouviu a voz de Bella dizer em som baixo.
Bella – Às vezes, acho que posso chegar a odiar você, Edward.
Ed – Seu sentimento é recíproco, Isabella. – respondeu, para logo depois fechar a porta e se encostar à mesma, fechando os olhos e os punhos com força – Às vezes, acho que posso chegar a morrer de amor por você, Bella!


Ouviu os soluços de dentro do banheiro, e apertou os olhos com força. Seu coração pareceu dar três batidas fortes, antes que ele voltasse a abrir a porta com força, negar com a cabeça, a puxar pelo braço e se entregar a um abraço tão puro e cheio de emoção. Fechou os olhos, debaixo da água quente, sentindo como ela o apertava, chorando e soluçando em seus braços como uma garota indefesa que um dia, por acidente, havia parado em sua cama.

Ed – Isto está me matando, Isabella... –fechou os olhos, a beijando na testa – Não chora. - fez que não com a cabeça novamente – Não vou pedir que me desculpe, mas pelo amor de Deus, não chore.
Bella – Por que nada pode dar certo, Edward? – o olhou nos olhos – Eu só desejei passar o resto da minha vida com você, criando nossos filhos, quando tudo parecia funcionar, eu pensei que seriamos felizes... Edward, eu já não posso mais suportar tudo isso. – levou as mãos sobre os olhos, voltando a soluçar.

Edward fechou os olhos, voltando a abraçá-la, e se encostou à parede, a levando consigo, deixando Bella encostada em si, com a cabeça sobre seu peito enquanto sua cabeça, encostada na parede, tentava raciocinar algo que fosse são por alguns segundos.







Alice sentou-se na sala de estar na espera que a campainha tocasse, por mais que estivesse calma, algo em seu interior saltava de maneira comprometedora. Brincava com os dedos como uma criança, e pode avistar que suas mãos suavam. Ela abaixou a cabeça quando ouviu um barulho de carro e se levantou, respirando. Após tanto tempo, era hora de voltar a encarar Robert, o olhar nos olhos, lhe mostrar seu filho e lhe dizer que poderia sim viver sem ele. Enfim a campainha tocou. Ela se moveu relaxadamente, sobre as sandálias baixas, abriu a porta com o semblante sério e ficou de boca aberta ao avistar o homem em sua frente.

Robert estava bastante magro, com os olhos fundos, a barba por fazer, Alice quase deixou se abalar, mas então ele a olhou nos olhos, e seu coração quase saltou pela boca.

Robert – Vejo que as palavras não são necessárias, Alice, seu olhar sempre me disse tudo. – Ela se afastou.
Alice – Boa noite, Robert.
Robert – Boa noite Alice, você está maravilhosa.

Ele iria chorar ou era impressão dela? As palavras não haviam sido em um tom irônico, mas sim sincero. Céus! Por um momento, sentiu dó do homem em sua frente.

Alice – Sente-se, é... Quer um café?
Robert – Não, Não quero, já jantei obrigado. – Alice assentiu, pegando um envelope do seu lado.
Alice – É... – droga! Estavam lhe faltando as palavras – No tempo em que fiquei fora, procurei o advogado meu e do Edward, e pedi para que ele desse entrada no divórcio.
Robert – O divórcio. – sua voz soou baixa e trêmula, Alice engoliu a seco, evitando franzir a testa.
Alice – Sim, o divórcio. E a papelada já está toda ponta, inclusive eu já assinei e... – o observou com a cabeça abaixada – E é só você assinar para que eu entregue de volta.
Robert – Alice será que antes, eu poderia ver o bebê?
Alice – Thomas. O nome dele é Thomas, Robert. – ele sorriu, com os olhos fundos repletos de lágrimas.
Robert – Thomas. É um bom nome... – Alice assentiu dessa vez franzindo a testa.
Alice – Escute Robert, eu sei...
Robert – Estou apenas pagando pelos meus erros, Alice. – murmurou antes que ela voltasse a dizer algo e Alice assentiu, engolindo a saliva e se levantou, subindo as escadas e em poucos minutos trouxe o pequeno e miúdo garoto em seus braços, envolto em uma manda azul grossa e o entregou nos braços de Robert. E tudo o que ele fez foi baixar a cabeça e chorar, como jamais havia visto um homem em sua vida chorar.

Alice se emocionou e se levantou, caminhando para a janela em um gesto familiar.

Robert – Os olhos são meus... – ele sorriu, observando cada detalhe do bebê – É impressionante, mas eu poderia dizer que se parece com o Edward, mas a boca é sua. – olhou para Alice, que agora estava de frente para eles – A boca é igualzinha a s...
Alice – Robert! – o cortou, caminhando novamente até o sofá – Você pode levar os documentos para o seu advogado ver, sem problema nenhum, e pode ver o menino quando quiser, não vou proibi-lo. – Robert assentiu. Permaneceu mais uns 40 minutos com o filho no colo, sem prestar atenção em mais nada, e Alice se sentiu no direito de perguntar.
Alice – E Elisa e seu filho? – Robert subiu a mirada, a olhando, agora sem sorrir.
Robert - Estão bem. Comprei um ótimo apartamento para a Elisa, já decorado, pago a pensão certa todo o mês mais toda a assistência que posso. É uma menina, Carolina. – sorriu também orgulhoso da filha – É um doce de menina! – parou de sorrir – É hoje acredito que não seja uma hora certa para falarmos sobre isso, mas darei tudo o que precisarem Alice, e farei parte da vida dele, assim como faço parte da vida da minha filha. – Alice assentiu, duvidado que a ferida algum dia pudesse voltar a doer como doía - Elisa não é minha mulher, Alice...
Alice – Robert...
Robert – Nunca foi. – concluiu, negando com a cabeça, alisando as mãos do menino que olhava fixamente em seus olhos.
Robert – Acho que está tarde, e você deve precisar descansar. Podemos no falar na sexta? Por mim, o que você estipular está ótimo, só não me deixe longe do menino. - Alice assentiu se levantou e pegando o pequeno Tom do colo de Robert.
Alice – Na sexta está bom para mim, Robert. – ele assentiu – E quanto ao divórcio?
Robert – Deixarei você livre, Alice... – assentiu antes de entrar no carro, de maneira tão sombria como havia saído.

Alice entrou, se sentando no sofá e sorriu, observando que seu filho sorria a ela. Sorriu de volta, sentindo seu coração mais calmo. Sua liberdade estaria de volta e poderia continuar sua vida como havia feito até agora.






Edward, sentado na cama, observou como Bella dormia profundamente. Após as palavras no banheiro, nenhuma outra sílaba havia sido trocada, Bella havia simplesmente saído do banheiro se enxugado, dado outro beijo em Gabriel, para depois se vestir e se deitar. Ele sabia que ela havia segurado o choro ao máximo quando ele havia saído do banheiro, porque agora percebia que o travesseiro estava molhado e seus olhos inchados.

Havia ido até o quarto de Gabriel e permanecido lá longos minutos, até lhe beijar de forma carinhosa na testa e sair novamente rumo ao seu quarto, se sentado na cama e parando para perceber o estrago que as últimas horas haviam lhe causado. Foi quando, novamente, viu aquele rosto deitado ao seu lado na cama. Sem qualquer ameaça e sem qualquer defesa, correu as mãos do lençol até ela, até os cabelos molhados dela, fechou os olhos e logo se levantou, apagando a luz, e vendo Bella tão encolhida, mesmo coberta pelo cobertor, deu a sensação de que ela não precisava de outro calor que não fosse do seu. Deitou-se ao lado dela, bem próximo a ela, lhe rodeando as mãos pela cintura grossa, a trazendo para junto de si. Bella não acordou, e quase nem se moveu, apenas subiu sua mão até o peito de Edward, que então fechou os olhos e, como há muito tempo não fazia, adormeceu.


Os raios da manhã ensolarada começaram a passar pela fina cortina de cetim branca do quarto aquecido. Edward abriu os olhos, como seu relógio biológico fazia todas as vezes que dormia. Dormia. Abaixou a cabeça e, vendo Bella em seus braços, na mesma posição que ele havia a colocado, coçou os olhos com a outra mão que não a segurava junto a si. Olhou o relógio ao seu lado, percebendo que já eram quase 06h30min, não estava atrasado e sentia seu corpo novo em folha, além de relaxado. Parecia que suas energias estavam redobradas.


Uma noite. Uma noite inteira de sono, como há tempos não tinha, a cama estava quente e preenchida pela mulher que dormia sobre ele. Voltou a fechar os olhos, se recordando perfeitamente de cada fato da noite passada. Abriu os olhos, tomando um balde de água fria, e acabou se perguntando se estava mais perdido do que já estava.

Edward sentiu o bebê se mexer, uma, duas, até três vezes, denunciando que não apreciava a posição que sua mãe estava e, como se pudesse falar com a própria, Bella se mexeu, deslizando a mão esquerda, que no dedo anular continha a aliança, sobre o peito de Edward, que voltou a fechar os olhos e a engolir seco.

O bebê mexeu de novo, Bella levou as mãos nos olhos e Edward percebeu que, em questão de segundos, ela notaria que não estava sozinha, aliás, que estava nos braços dele. Voltou a fechar os olhos novamente.

Bella abriu os olhos, sentindo o bebê se mexer. Olhou em volta de si e sua mão sentiu o peito de Edward. Oh Deus, estava dormindo nos braços dele? Levantou-se com cuidado, sentindo uma pequena dor nas costas. Isso que dava dormir na mesma posição. Dois ou três travesseiros, Bella, sua médica havia lhe falado. Os cabelos estavam revoltos, mas de uma maneira maravilhosa, sem maquiagem, apenas com uma camisola branca até os pés, como adorava usar quando estava grávida.

Ela levou as mãos até a barriga e voltou a fechar os olhos, sentindo mais movimentos. Sorriu, sentindo o sol começar aquecer o quarto e virou-se vendo, que Edward dormia. Abaixou os olhos, sentindo as lembranças de a noite anterior lhe assombrarem, o pensamento



“Você perdeu o controle, Bella”, era como se sua consciência a lembrasse.


Levantou-se, o deixando dormindo, sabe lá Deus quando tempo aquele homem não dormia, ela disse em pensamentos, não iria acordá-lo antes das sete. Pegou seu roupão, caminhando até o banheiro, onde escovou os dentes, querendo ganhar tempo, já se maquiou naturalmente, como sempre fazia, deixou os cabelos soltos e descalça caminhou até o quarto do filho, que dormia tranqüilamente. Sem barulho, separou o uniforme e ligou o chuveiro, a mochila havia arrumado na noite passada. Sentou-se na cama, o acordando com beijos pelo rosto. Gabriel sorriu.

Gabriel – Mais cinco minutinhos, mãe... - Bella sorriu, continuando a o beijar, até Gabriel abrir os olhos e se sentar, a abraçando.
Bella – Bom dia, filho! - Gabriel a mirou, assim de pijama pela manhã, como há muito tempo não à via. Sua mãe estava de volta, e sabia disso!
Gabriel – Bom dia, mãe!
Bella – O que acha de um banho gostoso, com direito a espuma e bagunça? – Gabriel fez uma cara de sapeca, se levantando e arrastando Bella junto a si, para que lhe desse banho.

E foi realmente o que aconteceu: espuma por todo o banheiro e muita bagunça. Após vestir, pentear e perfuma o filho, lhe entregou a mochila, logo após rever as atividades da agenda e, quando se levantava, percebeu que Gabriel a observava com curiosidade.

Gabriel – Mamãe, o que é isso na sua barriga? - Bella sorriu e, voltando a se sentar, chamou o filho para que o mesmo sentasse em seu colo.
Bella – Aqui dentro tem um bebezinho. Sabe quando andamos na rua e, ás vezes, tem um montão de mulheres com a barriga grande assim, igual a da mamãe? Elas também carregam bebezinhos. – Gabriel assentiu, com os olhos iluminados – E esse bebezinho é o seu irmão!
Gabriel – Um irmão só para mim? – Bella assentiu, sorrindo da excitação e animação do filho.
Bella – Isso, só para você!
Gabriel – E ele chega quando?
Bella – Ela chega daqui a três meses...
Gabriel – É uma menina?
Bella – Sim, é uma menina, e vai ser sua responsabilidade proteger-la dos meninos. – Gabriel assentiu, assumindo uma postura responsável.
Gabriel – Já sei, quer dizer que você e o papai estão grávidos? Ouvi isso na televisão. – disse animado, passando a  mãozinha carinhosamente sobre a barriga da mãe.
Bella – Exatamente, estou grávida!
Gabriel – Genial! Vou contar a todos os meus amigos da escola... Nem acredito mamãe, um bebezinho só para mim! – Bella sorriu o vendo descer as escadas todo animado, rumo a televisão.

Sentou-se na cama, se sentindo ligeiramente cansada e baixou os olhos, para então os erguer, sentindo o perfume da colônia de Edward. Ouviu risos e vozes.
Ed – Bom dia, filhão!
Gabriel – Bom dia, paizão! – o beijou após Edward o abraçar com força, lhe beijando a testa com extremo carinho.
Ed – Dormiu bem?
Gabriel – Sim, sim! Não sabe o que eu sei: a mamãe está esperando um bebezinho, Pai! – deu um gritinho de animação – Uma menina, ela disse, e eu sou o irmão mais velho e vou cuidar dela. – Edward sorriu pela animação do filho e, sem dizer uma única palavra, o deixou, depois de uma sessão de cócegas no sofá, assistindo desenho.


Edward subiu as escadas, imaginando que Bella estaria lá em cima, no quarto do garoto. Bella se assustou consigo mesma; havia sentido o perfume de Edward, mesmo ele estando na sala?

Ela alisou o travesseiro de Gabriel, sentindo que agora realmente não estava sozinha no quarto. Edward já estava completamente e impecavelmente vestido, com um terno cinza claro, os cabelos despenteados e o corpo perfumado. Abaixou a cabeça, dobrando o pijama do filho.
Ed – Nelita não vem hoje, deixou um beijo. – Bella assentiu.

Ela não tinha coragem de olhá-lo nos olhos. Covarde! Mais uma vez gritou a si mesma. Sentia seu sangue congelar cada vez que ele dizia algo. Edward se aproximou, sentando-se na cama ao lado dela.

Ed - Você contou para o Gabriel?
Bella – Sim, há tempos ele já fazia perguntas, aproveitei essa manhã que estava animado... Por quê? Você gostaria de ter contado?
Ed – Contado o que? Não conversamos sobre isso até agora, Isabella, tenho certeza que o Gabriel sabe mais que eu sobre a minha menina. – Bella não respondeu, continuou dobrando e desdobrando a peça de roupa. – Será que você pode olhar para mim? – sua voz continha a fúria de parecer falar sozinho. Bella o mirou – Pare de agir como seu eu fosse matá-la cada vez que me aproximo, para de agir como se eu fosse machucá-la cada vez que me olha nos olhos.
Bella – Você me machuca.
Ed – Sério? E você está me matando! Vamos senhoras e senhores, façam as suas apostas: quem morre primeiro de nós dois Isabella? – Ela voltou a abaixar a cabeça – Não, olhe para mim. Uma trégua, ok?! Eu preciso de uma trégua ou vou acabar enlouquecendo. – Bella assentiu, se levantando.
Ed – Você foge. – balançou a cabeça para os lados, sorrindo tristemente – Eu amoleço e você foge. – se levantou a encarando – Então, me escute bem, porque acho que você prefere uma coisa um tanto mais autoritária...
Bella – Cala a boca, Edward, antes que a gente comece a se ofender novamente! – sua voz soou baixa – Não há nenhum segredo. Estou grávida, como você pode ver, é uma menina e estou de sete meses. Seria impossível, quase, dizer quando aconteceu, porque naquela semana fizemos amor diversas vezes. Quando eu sai daqui eu não sabia que estava grávida, e tem todo o direito de me culpar sobre isso, estou entregando os pontos e as minhas armas, Edward, eu não posso e nunca pude com você. – Ele a olhou de cima a baixo, voltando a se sentar na cama.
Ed – Relatório completo, senhora Cullen. – fechou a cara em uma expressão infeliz – Quer saber? Eu também cansei! - abaixou a cabeça e Bella sentiu seu coração dando um salto – É isso o que tem a me dizer a respeito da minha filha, da filha que eu pedi para você, da criança que nós fizemos dia após dia? – Bella fechou os olhos – Não é justo, Bella... – negou com a cabeça – Eu posso ser o pior dos homens para você, mas não é justo. Sabe-se lá Deus se fosse em outra época, se não fosse o aniversário do Gabriel, eu a veria só depois que ela nascesse?
Bella - Não, você sabe que eu não faria isso com você. No fundo, eu sei que sabe Edward, ainda me sente como eu te sinto...
Ed – E como você me sente agora? – perguntou a olhando ironicamente.
Bella – Da mesma maneia como eu me sinto. Escute Edward, eu não quero mais machucar nem causar danos a ninguém, o melhor é que...
Ed – Você parece não me entender... – negou com a cabeça – Não vou abrir mão de você, Bella, e você não vai sair dessa casa e nem da minha vista! O problema não é nada a não ser o meu descontrole por você. E você o sente, não sente? – Bella baixou a cabeça – Sente agora o que me queima de vontade de puxá-la pelos braços, a colocar em qualquer lugar sólido e lhe mostrar do que eu estou falando? Do descontrole que eu estou falando? – Bella não disse nada e nem se moveu – Acha justo me passar um “relatório” sobre a nossa filha? Você acha justo, Isabella? Porque, se você achar, eu juro que começo a tratá-la como uma rainha agora mesmo. – mais uma vez, silêncio – Foi o que eu pensei! Tenha um bom dia. – se levantou, caminhando até a porta, mas parou quando Bella o tocou no braço, o mirando nos olhos.
Bella – Não, não é justo... Mas também não é justo que o erro seja só meu, quando fomos nós dois que erramos. Eu por não confiar em você e você por não me entender. – Edward engoliu a seco – E o que mais me dói, Edward, é saber que o seu presente chega daqui a pouco, embalado em um cobertor rosa quentinho, que eu fiz questão de comprar, mas chega assim, no meio desse tormento e desamor...
Ed – A culpa é minha. A culpa é sua.
Bella – A minha filha e o Gabriel não vão ficar e crescer com esse rio que sempre há entre nós.
Ed – Sim, há! E a única coisa que parecia funcionar entre nós já não funciona mais, não de maneira completa. Eu falo de olhar nos olhos, Bella. Eu falo de, quando o prazer está tão perto, te olhar nos olhos. Era tudo o que me fazia crer que algum dia poderia dar certo.
Bella – Eu acreditei que daria certo...
Ed – Não, eu acreditei que iria dar certo. Você jamais se entregou como eu me entreguei. Às vezes eu chego até a pensar que você não me amou como eu...
Bella – Não diga isso. – franziu a testa, levando dois dedos sobre a boca de Edward – Só Deus sabe o quanto eu te amo. – Edward se calou, recebendo tais palavras como um balde de água congelante na face.
Ed – Por que não dá certo, Bella? Por que semanas não são nada mais do que podemos ter um com o outro? Por quê? Eu tenho tantas perguntas e você não me dá respostas... - Bella se virou, baixando sua mão – Mas jamais, jamais se esqueça, por onde quer que você fuja de mim ou de si mesma, Bella... Que você é minha! – Bella fechou os olhos, sentindo seu corpo estremecer.
Cada vez que ele falava tais coisas seu corpo estremecia. Virou-se, o olhando e, antes que Edward pudesse dizer mais alguma coisa, ela abriu a porta e saiu do quarto, e seu interior novamente gritou:
Covarde! Isabella, você é uma covarde!


Ela parou na porta e, sentindo seu coração bater três vezes, de maneira brusca e rápida voltou a abrir a porta e o encarar.

Bella – Não vá para Londres. É onde tudo começa, e onde a gente sempre termina.
Ed – Nós não temos nada, Isabella.
Bella – Então não vá e não destrua o nada que nos resta.
Ed – Tenho assuntos importantes.
Bella – Por Deus, há outra mulher? – Edward franziu a testa, a olhando.
Ed – O que te faz pensar que tem o direito de pedir para que eu não fuja de você? – Bella se calou - Porque é isso o que eu vou fazer Isabella... E não. – respondeu com sinceridade – Não há outra mulher. E, mesmo se tivesse... – se calou – Há outra como você nesse mundo? – Ela ficou sem resposta – Há?
Bella – Não, Edward.
Ed – Então, não há outra mulher! Dê-me um bom motivo para não fazer o mesmo que você. Dê-me um bom motivo pra não ir, e eu simplesmente não vou. Dê-me Isabella.


O Olhar dele a queimava, não era um pedido, era uma súplica, e só cabia a ela responde-lo.


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