sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma Linda Mulher - 2ª Temp. - Fique Comigo Bella ... Fique Comigo.


Edward observou a sua volta, onde várias mulheres grávidas sorriam alegres, sentadas na cadeira de roda, a caminho de terem seus bebês. Fechou os olhos, sentindo o mundo girar, não sentia suas pernas, seu rosto estava pálido e esgotado. Ele abriu os olhos ao ouvir outro grito de Bella ecoar pelos corredores. Não sabia o que fazer, como agir.

Como um baque, a realidade o gritou.

Se pôs a caminhar com pressa até a sala que a levavam, pensando em Alice, pensando em Marieta, seu filho... Seus filhos. Negou com a cabeça, avançando. Bella, sua musa, sua mulher. Deus, por que tantas complicações, aquilo era castigo?


Ed – O que foi que eu fiz de errado? – se perguntou quando alcançou a sala em que Bella havia sido levada.


Os batimentos baixos do bebê junto com os - ainda mais baixos - da mãe eram monitorados, a sala já adquiria aquele aspecto de extrema emergência, onde todos corriam com medicamentos e aparelhos. O inferno! As enfermeiras gritavam, Bella gritava... Bella gritava? Conseguiu, por fim, a alcançar. Não, ela não gritava, parecia adormecida.


Enfermeira 1 – SENHOR, PRECISA NOS DAR LICENÇA. ELA ESTÁ DESACORDADA, DOUTOR...
Edward franziu a testa, vendo a correria que se formava em volta de si, parecia que lhe dava picos, o fazendo sair do ar constantemente. Piscou longamente, vendo tudo lhe passar em câmera lenta.


A voz da enfermeira estava distante, os médicos trombavam nele enquanto passavam com as luvas cobertas por sangue.

Medico – Senhor, é o marido dela, não? SENHOR CULLEN?
Ed – Oh meu Deus! O que está acontecendo? – observou Bella e logo depois o médico.
Médico – Faremos uma cesariana de emergência... – caminhava rumo à saída junto com Edward, que, contrariado, se movia sem deixar de mirar Bella – Sua mulher está perdendo muito sangue, o bebê é prematuro... A melhor opção é de tentarmos uma cesariana, mas, senhor, eu não posso lhe dizer...
Ed – NÃO, NÃO ME VENHA COM ISSO! ESCUTA ME. - pessoas saiam de seus quartos e observavam o homem atormentado, que gritava em plenos pulmões – EU NÃO QUERO SABER, É PARA ISSO QUE EU PAGO ESSE HOSPITAL, EU QUERO A MINHA FILHA E QUERO A MINHA MULHER... VIVAS!
Medico – Eu entendo, senhor Cullen, o seu desespero, mas a situação é delicada, não sabemos desde que horas ela está sangrando. Os batimentos do bebê quase não são ouvidos... Faremos uma cesárea de emergência, mas precisamos saber se caso algo aconteça...
Ed – VOCÊ NÃO VAI DEIXAR QUE NADA ACONTEÇA! – pegou o médico pelos braços, o colocando de volta a sala enquanto todos o olhavam, ainda mais assustados com a situação – VÊ ESSA MULHER NESSA MACA? É A MINHA MULHER. E EU A QUERO VIVA, DOUTOR... a minha filha... – sua voz foi ficando fraca – Eu quero a minha filha viva.
Médico – Edward, se acalme, ok?! – se afastava enquanto as enfermeiras preparavam Bella para a cesárea e a mesma acordava – Você gritar não vai adiantar.
Bella – Edward? – o chamou, engolindo o nó em sua garganta. Ele correu até ela, segurando fortemente sua mão e, com a outra, lhe tirava os cabelos do rosto.
Ed – Olhe para mim, vai ficar tudo certo, ok?! – Bella fechou os olhos, deixando escapar algumas lágrimas. Edward viu como as enfermeiras colocavam a roupa descartável nele, sem que ele tirasse o contato visual que mantinham – Fica comigo, não durma, Bella... – a chamou com mais força, a fazendo voltar a abrir os olhos.
Bella – O que estão fazendo? O bebê...?
Ed – Ela está confusa. – O doutor assentiu e pendurou o lençol azul, tirando a visão de Bella de abaixo de seus seios.
Bella – O que estão fazendo? EDWARD? – ele a mirou novamente, vendo como o médico, com extrema facilidade e um tanto que nervoso, abria logo abaixo de sua barriga.
Ed – Uma cesárea. Nossa menina vai nascer, Bella.
Bella – É cedo, Edward, não permita que façam isso... – ele lhe beijou a testa, a acalmando.
Médico – Sucção. Droga, eu não consigo ver nada! Mais Sucção...
Ed – Olhos abertos! Anda, olhe para mim. Fique comigo...
Bella – Eu não vejo você... – piscou longamente, mexendo a cabeça de um lado para o outro.
Enfermeira 2 – Os batimentos da mãe estão caindo, Doutor.
Médico – Mais um segundo, preparem a incubadora... – finalmente o bebê havia saído.


Edward sorria aliviado, mirando sua filha tão pequena e frágil, mas deixou de sorrir ao ver que a mesma era levada até a incubadora, onde a examinavam com rapidez, passando as costas da mão pelo seu peito, sua cor era arroxeada.

Ed – O que está acontecendo?
Enfermeira 1 - Ela não respirara, tragam o oxigênio... Vamos, bebê, abra os olhos, respire!
Enfermeira 2 – Doutor, hemorragia. – Edward virou a mirada para Bella, ela apertava seus dedos com força.
Bella – Ela está bem? Está segura? Por que não chora?
Médico – Eu quero que saia daqui, senhor Edward.
Ed – Não! O que estão fazendo?
Bella – Ela está bem? Por que não chora?
Médico – Quero que contatem o banco de sangue; duas bolsas de O+. Rápido! Eu não consigo ver nada por aqui, há muito sangue...
Ed – Está tudo bem. querida... – gritou à Bella antes que os enfermeiros o tirassem da sala, a base da força – ESTÁ TUDO BEM, QUERIDA. FIQUE ACORDADA... FIQUE COMIGO, BELLA!



“- Fique comigo, querida, não me deixe aqui.”



Bella revirou a cabeça duas ou três vezes antes de fechar os olhos, sentindo a escuridão. Ouvia gritos ao seu redor, aparelhos de bips, enfermeiras gritando, Edward gritando...



“- Fique comigo, Bella... Fique comigo!”




Sua audição foi se afastando cada vez mais, tentou abrir os olhos, não tinha força, apagou completamente.


Bella sentiu sua boca completamente seca. Com luta, por fim, abriu os olhos; estava tudo tão escuro. Subiu sua mão, coçando os olhos e sentiu a outra a espetada pela agulha, que lhe levava o sangue a seu corpo, protestar. Respirou fundo, sentindo uma dor profunda e aguda. Voltou a fechar os olhos, sentindo o cansaço se apoderar de si mais uma vez. Adormeceu.


Ed – Ela vai ficar bem?
Médico – Ainda é cedo para dizer, senhor Cullen, mas estamos fazendo o possível para deixá-la confortável. – Edward assentiu, tocando as mãozinhas pequeninas e magras da garotinha tão pequena que dormia profundamente, com a ajuda de aparelhos para respirar.

Seus olhos estavam cobertos, havia aparelhos em seu corpinho que monitoravam seus batimentos cardíacos. A acariciou nos cabelos - castanhos como os de Bella - e fechou os olhos, negando com a cabeça, sentindo que seria incapaz de viver caso aquele pequeno ser o deixasse.

Ed – Diga “Olá” para o papai, querida. Você é meu melhor presente, sabia? – o médico sorriu.
Médico – Nesse momento, está estável, se Deus permitir ficará aqui ainda por um longo período... Estava sem oxigenação, não respirava quando a tiramos. – Edward voltou a concordar e permaneceu acariciando as mãozinhas e os pequenos pezinhos.
Ed – E minha mulher?
Médico – Confesso que foi uma grande façanha, não sei como conseguimos, mas está bem e fora de perigo, senhor Cullen. Fizemos tudo o que pudemos. Faremos exames logo depois que ela se sentir melhor para sabermos em qual grau seu útero foi danificado. – Edward o mirou com a testa franzida.
Ed – O que quer dizer?
Médico – Fizemos um procedimento evasivo, para conter a hemorragia, em alguns casos é possível que...
Ed – Não diga isso à minha mulher.
Médico – Não posso fazer isso.
Ed – Estou dizendo para que faça isso, não diga agora, deixe que eu digo... - voltou a atenção ao bebê, com sua respiração ritmada – Precisamos escolher um nome, princesa... Enquanto dorme, peça para que sua mãe acorde e venha ver-te. – se emocionou, deixando a emoção do dia inteiro tomar conta de si.


O médico o deixou sozinho enquanto outra enfermeira erguia outra criança recém nascida para que o pai e os avós o vissem e festejassem através do vidro. Voltou a atenção para sua menina, a acariciando com extrema delicadeza.


Ed - Peça para sua mãe acordar, querida... Peça por ela.




Alice chegou às pressas pelo hospital, afobada e preocupada, pediu por informações em todos os cantos em que passava e, por fim, pegou o elevador, subindo até o 6° andar. No final do corredor, Edward estava sentado, tombado para frente com os cotovelos sobre os joelhos e as mãos na cabeça.

Sentiu vontade de chorar. Por Marieta, por Bella, por ele... Sentou-se ao seu lado em silêncio. Edward abriu os olhos, a mirando, o abraço foi tão intenso e tão firme. Alice lhe alisou os cabelos, permanecendo em silêncio, na espera que Edward se confortasse em seus braços.

Alice – O que aconteceu? - o olhou nos olhos.
Ed – Não sei direito. Hemorragia... Cheguei em casa e ela estava sentada na cama coberta de... – se calou suspirando.
Alice – E como elas estão?
Ed – Bella está dormindo há várias horas, minha filha está naquela merda de incubadora cheia de coisas, Ali, tão frágil, tão indefesa e...
Alice – Hey, está tudo bem! – ele negou com a cabeça, controlando as lágrimas.
Ed – Não, não está. Ela não está fora de perigo e Bella não acorda para que eu veja seus olhos e confirme que está tudo bem. O médico disse que talvez... Que talvez não tenhamos mais filhos, Alice. – Foi o fim! Alice o abraçou, ouvindo o soluço alto e profundo de seu irmão e o acariciou nos cabelos mais uma vez, ouvindo as palavras que lhe cortavam o coração – Por que tudo está desabando dessa maneira? O que foi que eu fiz para merecer isso, Meu Deus? Eu não rezo todos os dias, mas sei que ele sabe o quanto sou grato por tudo o que tenho... – a abraçou com mais força – Por que, Alice? Meu casamento, minha mulher, minha filha, Mari... Eu cuidei de tudo como a mamãe pediu.
Alice – Eu sei que cuidou. Você é um grande homem, Edward, tenho orgulho de você! – suspirou, não podia chorar, precisava o acalmar. E, depois de longos minutos, isso aconteceu.

Edward ligou para Nelita e acalmou Gabriel, lhe dizendo palavras carinhas e tentando o entreter com outros assuntos e desligou deixando beijos carinhosos e pedindo para que ele fosse para a cama. Rosalie havia se encarregado de ficar com o garoto o final da semana, a viagem havia sido adiada e a Cullen’s&Venturini... Essas estavam completamente nas mãos de Emmett.

Ed – Cadê o Bruno? – Alice deu um sorriso fraco, entregando a xícara de café a Edward.
Alice – Está com o Robert. – Edward a mirou, surpreso – Ele me pediu, disse que poderia ficar com ele até amanhã quando as coisas se acalmassem, não pude dizer não. Sabe cuidar de bebês, tem jeito para isso... – Edward assentiu.
Ed – E Mari?
Alice – Acordou, conversou comigo e parecia mais calma. Explicamos a situação. Edward, desculpe não poder esperar por você, mas era a única forma de acalma-la.
Ed – Eu entendo. E como ela reagiu?
Alice – Ficou muda por alguns instantes, antes de conversar sobre outras coisas, como se nada tivesse acontecido. Conhece Marieta, é igualzinha a mamãe... – Edward concordou, se levantou caminhando de um lado para outro – Ela está melhor, medicada, encerraram os exames por hoje, amanhã cedo farão novos. Passará a semana no hospital...
Ed - É melhor assim. Bella não acorda...
Alice – Se acalma, ela precisa descansar. Já escolheram o nome? – tentou o distrair.
Ed – Não, não tivemos tempo, era só quinta feira ainda...
Alice – Como?
Ed – Esqueça. – sorriu tristemente – Ainda não, nada de nomes.



Era madrugada quando Alice se foi, precisa descansar, iria logo pela manhã no hospital trocar com Tanya, que estava esgotada.

Edward voltou ao quarto e sentou-se no sofá, na espera que o dia clareasse. Fechou os olhos, sentindo que seu corpo não obedecia mais aos seus comandos, precisava fechar os olhos por alguns segundos e, com esse mesmo pensamento, adormeceu de forma rápida.


Bella – Eu nunca vou me casar... Aliás, vou me casar, com um homem alto e maravilhoso, com olhos claros. Na realidade, um azul outro preto, forte, musculoso, como os dos filmes, com a boca pequena o nariz reto e fino, os cabelos compridos como o príncipe encantado...
– Nossa, que menina mais exigente! – sorriu, tirando o bolo do forno.
Bella – É sério, mãe, nada de casamentos. Mas filhos eu quero ter, um monte deles... – gargalhou junto com Reneé que havia lhe dado um beijo na testa arrumando a ponta de suas tranças –
Reneé – Não acha que é um pouquinho cedo para pensar em casamentos ? Vem tomar café homem.... – Bella sorriu da maneira que Reneé chamava ao seu pai, ele veio sorridente, deu um tapinha em suas tranças arrancando uma careta de sua mãe que servia o café, em quanto o sol aparecia tornando tudo claro após uma turbulenta chuva – Estamos falando sobre casamentos e filhos...
Bella – Nada disso mãe... Hum que delícia... – provava um pedaço do bolo – Estou falando que jamais vou me casar, mais que vou ter muitos, muitos filhos...
Charlie – Estão ficando piores do que encomenda, deixe de falar disso menina, e você mulher um pouco mais de açúcar no meu café... – Reneé sorriu do jeito rústico de seu marido – Você vai é para a cidade grande, estudar ter uma profissão e se casar com um homem que lhe dê uma boa vida...
Bella – Que pensamento mais machista pai, eu vou trabalhar e me sustentar sozinha, e ter meus filhos sozinhas...
Reneé – Querida... – gargalhou de forma deliciosa, tirando o avental e sentando se a mesa – Filhos não se fazem sozinha.
Charlie – Eeee mulher! Deixe de falar disso, bebês se faz sozinha sim, minha filha, e vamos embora comer esse bolo antes que esfrie. – Reneé negou com a cabeça, sorrindo, Bella retribuiu o sorriso, arrumando as duas tranças pretas que caiam sobre seus ombros.
Bella – Amanhã vamos até a cidade. Nós três, e eu perguntarei a tia da vendinha como se fazem bebês.
Charlie – Olha essa menina, Reneé, a culpa é sua. – Bella gargalhou com vontade, vendo como sua mãe apenas sorria sem discutir com seu pai.


Piscou os olhos, sentindo a imagem se borrar e o som da gargalhada de Reneé se fazer mais baixo.



Bella – Mãe, onde vocês estão indo?
Reneé – Tchau, querida.
Charlie – Vá com Deus, minha filha, e se cuide. Esse mundo é pequeno perto do que você tem no coração.
Bella – Pai, eu não quero ir...
Reneé – Tchau, filha.
Bella – Mãe, MÃE...




– Bella? Hey Bella, abra os olhos...



Reneé – Sorria querida! Vai dar tudo certo, eu prometo...

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